A música autoral e a busca por um lugar ao Sol

Mika Holanda

Apresentação musical em Fortaleza. Claudio Mendes e Di Ferreira— Foto: Mika Holanda

Geração após geração, acompanhamos a forma como a música tem se desenvolvido, criado raízes, descoberto novos horizontes. Novos artistas tem surgido nos novos cenário locais, mas o sucesso são outros quinhentos.


Embora as mudanças sejam positivas em vários aspectos, a transição da música como instrumento de universalização social,tornou-se um método de opressão da midiática, cujas imposições fazem com que apenas a “bola da vez” chegue aos ouvidos do público, quase sempre direcionando-o à cultura pop. Essa moda na música faz com que inúmeros compositores e instrumentistas, mesmo com trabalhos substanciais, fiquem às margens do grande cenário musical, esperando que surjam raras oportunidades de levar ao mundo suas obras e percepções a respeito da arte.

Filipe Rocha, músico, compositor e professor de música atuante na cidade de Fortaleza há mais de uma década, fala sobre como é ser músico autoral e em que implica a busca por reconhecimento no meio.

Filipe Rocha — Foto: Mika Holanda

Rocha ressalta que, infelizmente, o mercado ainda é cover. Quando se fala do trabalho em si, na amplitude da noite, ele ainda não tem tanta força. Contudo, afirma também que a cena da cidade tem mudado em relação ao autoral. No seu caso, por exemplo, sempre há uma brecha para inserir suas composições ao longo do repertório. Perceber os lugares onde injetar a ideia é uma das táticas, pois é necessário observar que a aceitação está intimamente ligada as tribos. Os rockeiros são muito fiéis ao estilo que gostam, por outro lado, são preconceituosos, em virtude de não estarem dispostos a receber novas derivações. Já no público mais popular, encontra-se outro nível de aceitação. Exemplo notório disso é o samba-rock, afroxé etc.

O músico declarou que nos últimos dois anos, houve um crescimento significativo no número de bandas locais com trabalhos originais. O aumento de editais voltados para a música autoral tem impulsionado essa demanda.

Recentemente, houve no Estoril (Praia de Iracema), a Amostra Petrúcio Maia, onde várias bandas novas se expuseram com trabalhos exclusivamente próprios. Festivais desse tipo têm gerado vontade, nos artistas e profissionais da área, de investir em trabalhos totalmente indie. A despeito disso, em relação ao próprio mercado, ainda há muito o que mudar. É necessária uma real interação entre as partes: expectadores e artistas. Por exemplo: redes sociais, compartilhamento de arquivos, links, onde, no decorrer do processo, quando ocorrem as apresentações do artista, o público já conhece e se identifica com a proposta e, em muitos casos, até já canta suas canções e interagem positivamente.

Mesmo que no eixo Rio-São Paulo ainda seja muito mais fácil para o artista ter destaque no meio musical, Fortaleza vive uma evolução nesse quesito. O que falta é resolver um dos grandes questionamentos que se tem a respeito do porquê o público brasileiro absorve tão facilmente qualquer coisa que vem de fora, taxando como bom e diferenciado, e inferiorizando o que é local. Percebe-se bem isso quando se questiona a pessoas aleatórias sobre conhecerem ou não cantores novos de origem latina, ou mesmo brasileira; logo tem-se uma resposta limitada. Mas, se indagado-as a respeito de artistas norte-americanos e europeus, despeja-se uma vasta lista de nomes.

Filipe Rocha — Foto: Mika Holanda

O público ainda está descobrindo o que é viver a nova poesia. Passou-se muito tempo menosprezando o que nasce no próprio quintal. A despeito disso, o movimento é forte e grandes talentos têm surgido para derrubar os paradigmas que rondam nossos próprios conceitos.

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