Doação de Órgãos: um gesto de amor e solidariedade com o próximo

Não existe demonstração de amor maior do que esse gesto

Talita Silva

Casal de transplantado que se conheceu no Hospital do Coração de Messejana (Foto:Talita Silva)

No dia 27 de setembro é comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos no Brasil. A data traz à reflexão sobre a importância desse ato para pacientes que esperam ansiosamente ouvir a frase: “chegou a sua vez” e com isso terem a esperança renovada de continuar vivendo.

Graças à postura de familiares que em meio à dor da perda de um ente querido optaram por salvar vidas, é que pessoas como José Milton Pereira, 58 anos, e Marilac Batista, 55 anos, continuam vivendo. Eles receberam um novo coração.

Dois anos e três meses foi o tempo que José passou na fila de espera. Para ele, o período foi muito difícil e angustiante. “Foram anos de sofrimento. Passei vários dias em hospitais com diversos aparelhos respiratórios lutando para sobreviver. Mas tive a vida transformada quando recebi a notícia que tinha sido contemplado. Só eu e Deus sabíamos a importância que ele representava para mim”, afirmou.

Já a namorada, Marilac Batista, esperou um ano e três meses para receber o órgão, o qual ela mesma denomina de “meu neném”. Após sofrer um infarto agudo, ficou impossibilitada de realizar qualquer atividade que demandasse algum esforço físico, mas ela sempre manteve à esperança que sua vez iria chegar. “Eu esperava um novo coração como uma mãe espera um filho”, declarou.

Não foi só a afinidade que uniu o casal. Os dois protagonizaram uma história que tinha tudo para acabar com um triste fim. Mas pela sorte, ou como eles mesmo denominam: através da fé, é que eles puderam ter suas vidas renovadas e transformadas e assim viver uma linda história de amor que já dura há 13 anos.

Hoje já faz mais de 16 anos que José Milton recebeu o órgão de um jovem que teve morte encefálica e mais de 14 anos que Marilac adquiriu o seu “neném”, como ela mesma chama. Mas não tem um dia que eles não sejam gratos pela sorte que tiveram. Se hoje eles vivem essa história de amor é porque existiram pessoas que superaram a dor e o sofrimento e resolveram ajudar as outras, dando para elas a chance de continuar vivendo.

No Ceará, a taxa de doadores efetivos de órgãos é mais alta do que a nacional. É o que afirma uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). No Estado, a taxa de doadores é de 24,3 a cada milhão de habitantes, enquanto no País a taxa é de 14.

Toda pessoa pode ser um potencial doador de órgãos e tecidos, tanto em vida como após a morte (encefálica). Neste caso, não precisa deixar nada por escrito, basta que a família autorize a retirada. Por isso, se você deseja ser um doador de órgãos informe à sua família sobre a sua decisão. Doe vida, doe órgãos e tecidos. Alem de salvar vidas, doar é um ato de amor.

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