Saúde

Ministério da Saúde lança protocolo de incentivo ao parto normal, mas não oferece estrutura adequada

O objetivo é diminuir o número de cesarianas desnecessárias

Joyce Pedrosa

O Brasil está entre os países recordistas em cesarianas. Em média são quase 60% de cesarianas por ano. De acordo com o Ministério da Saúde, a cesárea é indicada em situações específicas, como por exemplo: para prevenir a transmissão do vírus da Aids da mãe para o bebê; para mulheres que tiveram herpes no último trimestre de gestação; para gestantes que já fizeram três ou mais cesáreas; e para mulheres que ficaram com cicatriz vertical no útero por causa de uma cesárea anterior, entre outros motivos de acordo com cada quadro clínico.

Alberto Beltrame, secretário de Atenção à Saúde do governo, diz que o médico, tem autonomia para avaliar e decidir o que é melhor para a mãe e para o bebê na hora do parto, mas lembra que uma cesariana feita sem necessidade pode provocar danos à saúde do bebê, aumentar os riscos de problemas respiratórios e até de mortalidade.

Pacientes e médicos afirmam que não basta somente o Governo incentivar o parto normal, é preciso oferecer o suporte necessário para realização dos procedimentos. Cada vez mais os hospitais e maternidades estão com a capacidade de leitos excedida, falta de profissionais capacitados e equipamentos deteriorados.

A ginecologista e obstetra, Barbara Schwermann, alerta que o corpo da mulher tem condições de se adaptar às mudanças durante a gravidez, mas que a supervisão de um profissional que esteja realmente interessado em conceder à paciente os cuidados necessários, faz toda a diferença.
Luciana Nogueira com a sua bebê e a Drª Barbara Schwermann — Foto: (Arquivo Pessoal).

Uma enfermeira que não quis se identificar, relatou que a maioria das gestantes não tem um pré-natal bem assistido. Orientações sobre alimentação, controle emocional, amamentação, como agir na hora das dores do parto, são informações básicas que não são bem esclarecidas, inclusive no atendimento em hospitais particulares.

A maior parte dos médicos só prescreve exames fundamentais e muitas vezes quando chega o grande dia, a gestante fica jogada em corredores por horas, sem saber como reagir naquele momento e carente de cuidados, pois o sistema tem grande demanda e pouca oferta de compromisso com a população, garante a profissional.

Em contrapartida, temos casos de mulheres realizadas com a maternidade, por conta de todo apoio e orientação que receberam. A empresária Fernanda Maciel, optou pelo parto normal, tem plano de saúde, mas não encontrou na rede privada, uma clínica com o aparato que ela desejava, e foi em uma maternidade do Sistema Único de Saúde (SUS) que escolheu ter sua primeira filha, Laura.

Fernanda sentiu mais confiança durante a gravidez, após o início de seu acompanhamento com uma doula, trabalho pouco conhecido em nosso estado. A ONG Parto Normal em Fortaleza, realiza encontros periódicos e promove cursos sobre preparação da mulher para o parto, cuidados pós-parto, a importância das doulas, entre outros temas. Conheça um pouco mais das atividades do movimento através das redes sociais: Instagram e Facebook.

Fernanda Maciel e a Doula Aline Amorim — Foto: (Arquivo Pessoal).
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