A logística reversa e onde ela habita

por Filipe Bessa

O que é a fantástica logística reversa e onde ela habita?

A resposta para essa pergunta daria (estamos aqui para isso) um texto por si só, então vamos responder e tentar assimilar com calma algumas informações e exemplos de empresas que implementam esse “instrumento”.

De acordo com SINIR, Sistema Nacional de Informação Sobre Gestão de Resíduos Sólidos, logística reversa é um “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”.

Felizmente estou aqui para traduzir esse parágrafo que resultou de um Ctr C + Ctr V despretencioso da página do SINIR responsável por “esclarecer” o assunto.

Basicamente, o termo refere-se ao papel da logística no retorno de produtos, redução na fonte, reciclagem, substituição de materiais, reuso de materiais, disposição de resíduos, reforma, reparação e remanufatura.

Logística reversa é repensar toda a produção e distribuição de um produto ou serviço para que tenham os menores impactos ambientais e sociais negativos possíveis.

Um termo que atualmente está diretamente ligado com logística reversa é a Economia Circular, que é o estudo de alternativas e ações para a remodelagem de relações econômicas, tornando o fluxo linear da vida útil de um produto (ou até partes dele) em um fluxo circular, seja restaurando (reutilizando), virtualizando ou substituindo o mesmo por opções “ecofriendly”.

Mas calma, usar produtos recicláveis não seria tudo isso que eu acabei de falar pra você? Não, e difícil entender a diferença, mas você precisa entender que o Logística Reversa é diferente de Reciclagem.

Muitas empresas podem, tranquilamente, usar algumas partes recicláveis de embalagens e produtos (Reciclagem) sem repensar alternativas de minimizar os impactos das etapas de produção, distribuição e descarte/reuso das mesmas (Logística Reversa).

Vou tentar explicar melhor essa comparação com uma metáfora, então imagina só que estamos discutindo políticas de prevenção de doenças e tratamento de doenças, certo?

No Brasil e em muitos países em desenvolvimento o foco principal e a maioria dos esforços são direcionados (e mal) para o tratamento de doenças, quando em países desenvolvidos e com uma visão mais precavida os esforços já são direcionados para a prevenção que essas doenças sequer ocorram ou atinjam bem menos pessoas.

Não seria esse um dos grandes defeitos (não vou nem começar a falar de política aqui, porque né) do direcionamento de atenção e recursos no nosso Brasilzão da massa? A redução de resíduos e lixo que geramos vem antes da reciclagem dos milhões de toneladas de lixo que geramos mensalmente…

Devemos (serve para empresas e para nós, meros pessoas físicas mortais) usar a logística reversa e formas de tornar nossa economia mais circular para tornarmos nossos processos mais inteligentes, limpos e eficientes.

Empresas que já fazem isso? Claro que tenho exemplos, até porque quem seria eu para apenas vomitar essas informações, exigências e metáforas, sem expor cases de iniciativas que forma pensadas de maneira mais sustentável.

A primeira é uma que vocês talvez já tenham ouvido falar, a Apple, isso mesmo, a produtora incansável de tecnologia e inovação mais famosa entre os Millenials. Uma empresa que tem se preocupado bastante com o impacto que suas operações têm no planeta e começou a rever conceitos e aplicar mudanças nas suas instalações e processos de produção.

Atualmente, todas as instalações Apple no mundo, incluindo escritórios, lojas e data centers, funcionam apenas com energia limpa. Detalhe que os investimentos feitos em energias renováveis reduziram consideravelmente as emissões de carbono da empresa.

Além de iniciativas relacionadas com energia a Apple tem remodelado seu processo de produção para ter menor impacto no ambiente. “Estamos sempre buscando maneiras de usar menos e reutilizar mais os recursos preciosos da Terra. Como a recuperação de materiais de alta qualidade dos nossos aparelhos antigos para a fabricação de novos. Com tecnologias de reciclagem mais eficientes e outras inovações, esperamos um dia não precisar mais extrair recursos do planeta.”

Mas vamos falar de uma empresa brasileira que faz (e muito bem) sua parte para promover uma economia mais circular com seus clientes e parceiros, pode ser?

Vamos falar da quero dobra no próximo texto da Intention Ventures!