Os estudantes sabem o que estão fazendo

Reprodução: Ocupa Paraná (Facebook)

Na tarde do último sábado, dia 08 de outubro, os estudantes do terceiro ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Hugo Simas, Jully Wismeck, presidente do Grêmio Estudantil, e Vitor Matheus Campello, presidente de Esportes do Grêmio, falaram com a reportagem sobre o movimento estudantil no colégio e em Londrina.

Jully disse que passou a se interessar mais por esses assuntos (política, por exemplo) graças a uma professora de Sociologia do 2º ano; ela trabalhou sobre “movimentos sociais e feminismo, principalmente”. A aluna disse se importar com o futuro do colégio, mesmo que sejam seus últimos meses lá, pois quer cursar Artes Visuais na UEL e ser professora do Ensino Médio. Questionada sobre a participação feminina no movimento, ela disse que há mesmo muitas meninas envolvidas e que “elas perceberam que são mais afetadas do que os homens” e “estão correndo atrás de seus direitos”.

Vitor falou que se interessou por conta de seu aprendizado e diz que faz parte do movimento estudantil faz uns dois anos. Ele quer cursar Ciências Sociais e dar aulas também.

Segundo os dois estudantes, várias pessoas dizem que eles estão “delirando” e que essa perda de direito é coisa “de suas cabeças”, de “comunistas”. Algumas delas, entretanto, estão começando a se “tocar”.

Há ainda vários colégios sem Grêmio na cidade. O Colégio Estadual Vicente Rijo, por exemplo, tinha um grêmio de “fachada” (“não feito democraticamente”; com “dedocracia”, ou foi feito por um aluno que se proclamou representante); o Instituto de Educação Estadual de Londrina (IEEL) e o Aplicação também não possuem grêmios. Jully, entretanto, diz que nesses colégios há “alunos representantes”, que estão participando do movimento.

O do Hugo Simas existe há cerca de um ano e meio (antes de sua criação, foi feito todo um trabalho de explicar aos alunos o porquê do grêmio, quais suas funções e debates sobre ele) e tem cerca de 20 pessoas envolvidas na diretoria. A eleição, feita no meio do ano passado, vale para dois anos, mas, por alguns estudantes estarem no último ano, como os dois acima, por exemplo, pode ser que seja feito algum tipo de votação sobre o rumo a ser tomado em 2017. No total, são cerca de 1500 alunos no Colégio.

Uma das principais pautas do movimento é a chamada “MP da reforma do Ensino Médio”. Segundo Vitor, “o colégio não é grande como, por exemplo, o Vicente Rijo” e não teria “estrutura” para abrigar o Ensino Integral sem grandes mudanças nos períodos ou, até, o fim do Ensino Fundamental nele.

A organização é feita pelos próprios alunos secundaristas da cidade, mas há apoio de outros grupos estudantis como a UPES (União Paranaense de Estudantes Secundaristas), que faz mais tempo que existem e atuam e “acabam ajudando os outros”.

Tanto Jully quanto Vitor votaram nas eleições municipais, mas também consideram que estão fazendo política com as Ocupações. “A gente está mostrando que a nova geração não aceita de bom grado o que está sendo imposto” (a MP da “reforma” do Ensino Médio foi imposta, por exemplo), disse o aluno. Para ela, é um direito deles, de liberdade de expressão e que mostra que eles saíram do “comodismo”.

Os alunos dizem que raramente veem televisão e usam muito mais a internet para se informar. Ele tenta ler o máximo de notícias possíveis sobre o mesmo tema “para formar uma opinião própria”; ela lê matérias dos dois lados, pois cada um aborda de uma forma e publica algo que lhe interessa (consequentemente, esconde algo também). Quando necessário, eles tiram dúvidas com alguns professores — eles lembram, ao mesmo tempo, de um professor de História que sempre os ajuda com essas questões.

Com relação à mídia em geral, eles dizem que há sempre algum “sindicalista” ou “adulto” falando pelos alunos, o que dá uma impressão de que eles estão sendo “manobrados” por eles. Um comentarista, inclusive disse que eles são “tudo petista e marionete de professor”. Eles querem falar por si mesmos, pois eles sabem o que estão fazendo.

Na manhã dessa segunda-feira, dia 10 de Outubro de 2016, o Colégio Estadual Hugo Simas foi ocupado.

Guilherme Bernardi.

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