Acima de todos vocês
estão meus pés,
acima de todas as suas vozes
está a minha música,
acima de todos seus olhares,
o meu trago.

Deslizo sobre o concreto
que há muito tem rasgado minha alma,
mas que hoje apenas risca a sola dos pés
enquanto que por segundos
estou sobre.

O som me torce
me contorce
e eu torço pra não se esvair 
como todos vocês
que passam 
que passam sob mim.

O vento me acaricia 
como a mão gélida que posa sobre um corpo nu
e me deleito
para dançarmos essa dança 
com a qual estou sempre flertando.

Sobre todos vocês
estão meus pés,
está o meu corpo,
flutuando
sob a loucura
minha
nossa.

Talvez do mundo.