Fragmentação

Não sou mais alguém feliz
 Meu sorriso já não quer dizer alegria
 Aliás, já não significa nada mais!

Não consigo confiar em ninguém,
 As pessoas nunca são o que fingem ser.
 Você pode pensar me conhecer,
 Mas nem o mínimo o podes saber,
 Na verdade vês apenas o que quero!

Não presuma nada sobre mim
 Por me ter visto prostrado e sem brilho
 Não pense arrogantemente que de mim algo conheces
 Se não sabes tu o quão real e intensas são as trevas cá dentro.

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Em mim não há amor, meu coração não o pode suportar
 Pois a ferida que ele deixou jamais irá curar.
 Confiança é algo que não me dou o luxo de tempo perder
 Pois o laço que se arma te faz presa sua.

Não confiar nos lábios que te juram amor
 É a certeza que me roubou a luz,
 Pois o que habita os corações destila-se em palavras
 Que vazias, sem sopro, trazem o cheiro de inanição…

Enquanto as pessoas se acham e se encontram
 Estou cada vez mais perdido,
 Sou apenas mais um sem rumo na multidão.
 Já não preciso de ajuda, pois perdido me encontrei.

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Tendo tudo o que me resta é nada além da solidão,
 Sei o que quero, mas não o caminho a ser percorrido.
 Morte já não é medo ou pavor, tão pouco da matéria o estado final,
 Morte, antes pesadelo, não passa de um estado de espírito.

As cores já não transmitem sentimentos,
 Não expressam nada, servem apenas de mimetismo,
 Pra te fazer confuso, seduzindo-o ao que deves acreditar.

Já não vou esconder a tristeza que sou,
 Já não mais ocultarei o descontentamento meu.
 Que diferença fará se a tempos que as pessoas me vêem afundar
 E fechando os olhos viram a cabeça seguindo de largo seus rumos?

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Por que ocultar o erro que sou?
 Serei o que hoje já quero e não o que um dia fui.
 É isso que esperavam, um dia não quis,
 Mas agora já o quero mais que nunca.

Quanta dor a gente oculta,
 Quanto sofrimento suporta pra poupar a dor alheia,
 Mas todos esses sacrifícios
 Feitos mais pelo outro que por nós mesmos
 Acabam por resultar em nada.

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Com a dor descobri que a solidão é fiel companheira
 Que no sofrimento esperar a mesma medida de misericórdia
 É se firmar além do que suporta a fé.

Espere o julgamento na mesma medida em que julgares tu,
 Só não espere de voltada todo amor dispensado.
 Quando muito terás poucas gotas no teu deserto de solidão,
 Mas jamais se espargirá uma fonte a lhe saciar.

Os fragmentos que hoje de mim restou,
 Peças perdidas do que sempre fui,
 Juntam-se aos poucos, unidos pela dor.
 Antes do fim me desconstruí…

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Hoje fragmentado, os cacos me compõem
 Perdida algumas partes já nem as sei onde encontrar,
 Mas sinto-me completo ainda que despedaçado.

Não há como seguir sem deixar algo para trás
 Toda escolha implica em percas
 Alguma mais outras menos, mas sempre perde-se algo.

Ainda não me sinto livre, isso estou a buscar,
 Mas ao das grades me aproximar posso sonhar.
 Bater contra as barras machucou,
 Mas a sensação de correr para a liberdade aliviou.

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O que hoje em mim se exterioriza é sentimento,
 Também dor, paixão por viver, ainda que sofregamente,
 Já não me preocupa o quão chocante seja o exterior meu

Desejo apenas que vejam que apesar de todo mal,
 Toda dor e perseguição a infligidas
 Não foram capazes de subjugarem-me
 Fazendo-me ocultar dentro em mim.

Estou abrindo as asas e preparando o voo
 Um dia sei que valerá a pena ter ido tão longe
 Valerá a pena um dia ter subido tão alto
 Sei que valerá todo frio da solidão
 Valerá ter suportado tanta ingratidão
 Sim, valerá todas privações, todo desprezo.

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Também toda queda sem uma mão a se estender
 Virá a recompensa de se escalar o mais alto monte
 Pra, enfim, asas abertas me lançar ao vento da liberdade
 Sem ceras pra esconder os pedaços colados
 Me desfarei no caos da liberdade.

E ainda que não consiga a sonhada liberdade
 Morrerei tentando, mas não terei vivido em vão!

#Free Talk

Quem nunca sentiu-se impróprio em si mesmo, abandonado e sem qualquer perspectiva? Às vezes esses sentimentos podem ser profundos e duradouros, mas ainda assim terão um fim.
 Enquanto os meus não se findam, compartilho o que tenho sentido, pois a melhor forma de aliviar um pouco tanta dor só mesmo cravando-as numa postagem. Se de alguma forma eu puder te tocar ou, mesmo, ajudar ficarei muito feliz, pois a ideia é me despir de tudo que sinto — crio que só assim alcancemos a liberdade, expondo-nos ao invés de nos enterrar profundamente em nossas dores e traumas.

Agradeço, especialmente ao Felipe Baptista, modelo das fotos, que é bailarino e professor de dança — uma pessoa muito fofa que o pouco contato me permitiu perceber — que gentilmente autorizou o uso de suas fotos e que também inspirou-me enquanto as palavras me escorriam do coração e mente aos dedos à tela.


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