A Dor de Escolher

Da dificuldade em tomar decisões.

Leonid Pasternak — The Passion of Creation

Parece fácil cair em lamentos e fazê-los ficar por toda uma vida, mas a verdade maior sempre brilhará, no fim. E ela, uma vez, me disse que os lamentos nunca passaram de reflexos das minhas escolhas, já que não há nada do mundo de fora que não seja também parte de mim — por mais que isso incomode!

Ah sim… As escolhas são sempre tenebrosas, pois a fazemos e então esquecemos de que também há um preço para pagar… E a mudança — um caminho para a verdade — é tão feita de escolhas, que, às vezes, parece mais fácil apontar as coisas para serem culpadas — em um tribunal interior — ao invés de observar a responsabilidade que se tem em tudo. O isolamento, por exemplo. Ele certamente traz muitos benefícios, e, às vezes, vem com alguma recompensa, mas, mesmo assim, é difícil conviver com ele, na prisão em minha mente. E o que eu posso fazer, se eu fui quem o escolhi? Se todos nós fossemos só obras do acaso estaria tudo bem, já que não precisaríamos mais tomar decisões!

Escrevo tudo isso porque uma escolha despontou, e agora vou ter que olhar nos olhos de outro alguém. Uma escolha despontou e eu decidi dormir por hoje, mas amanhã o problema estará esperando outra vez, frente a frente, por minha resposta. E sei que posso dormir por toda uma eternidade, apenas observando a chuva que cair. Sei que posso ficar só avaliando as possibilidades eternamente, sem nunca tomar uma decisão. Mas também posso arriscar e escolher — e até errar! –, pois tudo deve ser feito algum dia. E é por isso que não vou deixar de lamentar a dor de uma escolha, mas também não quero deixar de enfrentá-la, do mesmo modo que faziam os justos, e como ainda fazem os heróis!