Mágica (Soneto)

Nasci para usar de meus olhos tortos,
Para flutuar alheio, em minha lente.
Para ouvir canções de pássaros mortos,
E navegar no mar de azul envolvente.

Não me ensinaram a amar ninguém,
E também ninguém para a mim amar.
Só as árvores e sopros de outrem,
Que passam mistérios sobre o ar.

Ah, sim, eu nasci para amar a Mágica.
Para sonhar com estrelas e a aurora,
Para falhar no que se tornará prática,
E sofrer com minha eterna demora.

E ainda é triste pensar no desvio
Da Mágica, deixando a todos o frio.