Uma Verdade Pura

Já se faz dias…

Cá estou eu novamente,

Nesta névoa de mistérios,

Onde manhãs sorriem contentes.

Os dias do tédio passaram a frente.

Resplandece, portanto, eternas correntes:

As correntes do frio, as correntes da água,

E as que confinaram o tempo em tábuas.

Pois isolamento traz muitos benefícios,

Mas eles se esgotam a cada linha gasta.

E se há nesse lugar algum ofício,

É poder destacar-se do mundo que se afasta:

Onde os pensares movem sem distinção,

Pois o receio existe em todo réu,

Mas há sim uma boa compensação:

Ela está nos galhos que alcançam o céu.

E sua voz, aqui, ressoa em árvores,

Mas alguns ouvidos não sentem seu canto,

Então, se você estiver passando pelos ares,

Erga-me da terra, e me vista com seu manto.

Só, por favor, não diga “sou o aprumo

Entre a imensidão verde e as flores coloridas,

Entre a redenção das águas e a dor das vidas,

Entre o sol poente e a noite mais escura,

Entre um jovem e sua verdade pura.”