A Relação Entre o Transporte Aéreo e a Questão Ambiental
Ao contrário do que muitos imaginam, a aviação está totalmente comprometida em reduzir ao máximo as emissões de CO2 na atmosfera

A crise ambiental talvez seja um dos temas de maior relevância na política atual, gerando densos debates e conflitos entre setores da sociedade demandando, e com razão, mudanças e até mesmo a extinção de atividades humanas poluidoras.
Um setor que sempre recebeu críticas por sua grande participação na emissão dos gases geradores do Efeito Estufa é o transporte aéreo. Entretanto, a aviação é certamente um dos meios transportes que mais se preocupa em reduzir a emissão de gases poluentes, e por um simples motivo — o combustível é o que mais pesa no orçamento das empresas aéreas.
Recentemente, o grupo ambiental inglês “Extintion Rebellion” causou confusão no aeroporto da capital inglesa “London City”. Um membro subiu em um avião da companhia British Airways e o outro se refusava a sentar em seu assento, gerando atrasos e cancelamentos. O grupo demanda principalmente o fim dos transportes movidos a combustíveis fósseis.
A sueca Greta Thunberg, a ativista mundialmente famosa de 16 anos, participa do movimento “We Stay on the Ground”, que promove a abdicação total a utilização do transporte aéreo, sendo cunhado até a expressão “Flying Shame” para os usuários da aviação civil, que segundo o movimento sueco, estão contribuindo diretamente para a degradação do planeta e deveriam se sentir envergonhados por isso.
“a aviação permitiu a humanidade dizer que o mundo encolheu.”
O fato é: a aviação faz muito mais do que apenas poluir. No dia 20 de Outubro, após 19 horas e 16 minutos no ar, o Boeing 787–9 do voo Qantas 7879 procedente de Nova Iorque, pousou na cidade australiana de Sydney, se tornando o voo mais longo da história e realizando o que era considerado impossível há apenas 20 anos —conectar a costa leste estadunidense até a Oceania sem escalas.
Atualmente, existe um fluxo diário de milhares de pessoas e mercadorias, conectando regiões e realizando o intercâmbio de conhecimento e cultura. O tão falado Globalismo e todos os seus benefícios de cooperação mútua entre sociedades está intrinsecamente ligado e depende quase que com exclusividade do meio aéreo. Sem contar os mais diversos povos e regiões insulares que necessitam desses veículos voadores para garantirem acesso a medicamentos e alimentos— a aviação permitiu a humanidade dizer que o mundo encolheu.
As críticas são tantas, que pouco é falado sobre os árduos esforços que o setor aéreo tem realizado a fim de diminuir ao máximo seu impacto ao meio-ambiente. Na verdade, os transportes, ao contrário do que muitos pensam, nem é o setor econômico mais poluidor, representando 14 % em relação as outras atividades econômicas, nas quais a aviação civil, em especial, representa apenas 2,69% das emissões de CO2 em relação aos outros meios de transporte, segundo dados de 2015 da IATA. Além disso, o setor aéreo foi o primeiro do ramo a criar o sistema de crédito de carbono.

Avanços tecnológicos e aviação são sinônimos. O Boeing 787, aquele avião lançado em 2011 que realizou o voo mais longo do mundo, reduziu em quase 30% a emissão de CO2 em comparação com os modelos em uso até então. E modelos como o Airbus A330Neo, que entraram em serviço em 2017, reduziram em 10% em relação a tecnologia atual. Menciona-se ainda o desenvolvimento já em progresso de aeronaves 100% elétricas, que já existem como modelos de pequeno porte, como é o caso do Pipestrel G2, e que certamente logo se desenvolverão para grandes aeronaves de passageiros.
Em relação ao gerenciamento do tráfego aéreo, diversos mecanismos de navegação e controle do espaço aéreo, como o PBN (Performance Based Navigation), permitem as aeronaves voarem de forma mais direta e eficiente ao destino, ou que simplesmente não desperdicem combustível em longas filas de espera para decolar.

Os aeroportos não ficam de fora. Imensos parques de painéis fotovoltaicos já estão instalados em diversos aeroportos ao redor do mundo, como o de Galápagos, no Equador, que funciona totalmente a base de energias renováveis. Os terminais de Curitiba (Afonso Pena) e do Rio de Janeiro (Santos Dumont) reciclam toda a água proveniente de pias, ralos e do sistema de ar-condicionado.
Sim, se ações não forem tomadas talvez a Terra fique em um ponto irreverssível ameaçando diretamente a vida por aqui. Mas sejamos realistas. Não é viável abandonar da noite para o dia ferramentas que se desenvolveram ao longo da história permitindo um nível de bem-estar nunca visto antes na humanidade. E a aviação, assim como vários outros setores econômicos, está continuamente comprometida no que talvez seja a única solução para salvarmos o planeta: o desenvolvimento sustentável.
Iolaus Pasanisi — Estudante de Relações Internacionais (Universidade Positivo) e Piloto Privado de avião com interesse em aviação sustentável.
Fontes utilizadas:
Imagem 1:
https://www.internationalairportreview.com/news/80498/effects-environment-aviation-growth
Imagem 2:
https://www.dw.com/pt-br/a-amaz%C3%B4nia-%C3%A9-realmente-o-pulm%C3%A3o-do-mundo/a-50228818
Imagem 3:
https://www.boeing.com/commercial/aeromagazine/articles/qtr_2_08/article_03_2.html
https://www.bbc.com/news/uk-50000110
https://aviationbenefits.org/case-studies/boeing-787-dreamliner/
https://www.icao.int/environmental-protection/Documents/ICAO%20Environmental%20Report%202016.pdf
https://www.iata.org/pressroom/facts_figures/fact_sheets/Documents/fact-sheet-climate-change.pdf
https://www.aeroflap.com.br/infraero-amplia-esforcos-para-reduzir-consumo-de-agua-nos-aeroportos/