A Sociedade Machista: Mais um preconceito (estereótipo) criado pelo ser humano.

Igor Santos
Sep 1, 2018 · 2 min read

Brasileiro é tudo índio.

Baiano é preguiçoso.

Carioca é malandro.

Paulista é apressado.

Mineiro é caipira.

Candango é corrupto.

Gaúcho é veado.

E, agora, a sociedade é machista.

O que dizer desse péssimo hábito que se tem de estereotipar um grupo inteiro de indivíduos devido às piores atitudes que se pode encontrar no convívio com apenas uma parte desse grupo?

Infelizmente, temos de conviver com todo tipo de generalização e as consequências disso são silenciosas e vão se enraizando da pior maneira no consciente coletivo de uma sociedade.

Quais são essas consequências?

Digo por mim, pela consciência que tenho hoje dos meus próprios pensamentos e sentimentos que tive no passado e pelo esforço que venho fazendo para evitá-los atualmente, com o objetivo de provocar uma autorreflexão.

Já me fiz curtir a minha preguiça de maneira forçada, só por estar na Bahia.

Já andei mais rápido quando visitei São Paulo.

Já recusei ajuda e deixei de conhecer pessoas no Rio de Janeiro com receio de ser ludibriado.

Já desconfiei de gaúcho, mesmo quando o cara era curto e grosso. Pensei: “Tá querendo esconder alguma coisa nessa macheza toda”.

Toda vez que via um estabelecimento comercial em Brasília, a primeira pergunta que me vinha: “Será que é fachada pra lavar dinheiro?”.

Já deixei de levar uma conversa a sério porque o sotaque da pessoa era de Minas Gerais.

Hoje percebo como isso tudo me impediu de enxergar a realidade, de enxergar a parte verdadeira de outros seres humanos, pelo simples preconceito enraizado pelos estereótipos.

Agora, vejo muitas pessoas deixando de conhecer outras de maneira mais profunda, ou até mesmo não conseguindo ter uma conversa civilizada, porque há uma barreira “moral” que as impedem de atravessar a superficialidade.

Essa barreira é o estereótipo do machismo.

É verdade que o machismo é, de certa forma, comum.

Mas não se pode confundir, nem apelar, nem exagerar: uma pequena atitude que pode chegar a ser considerada machista que uma pessoa toma não a torna, automaticamente, machista.

Do mesmo jeito que um homem com gesticulação mais acentuada não necessariamante é homossexual.

Do mesmo jeito que uma mulher que diga algo pontual de uma maneira seca não a faz ser necessariamente antipática.

Do mesmo jeito que quaisquer atos pontuais, mínimos e rasos em uma pessoa não a torna uma representação condensada do que esses atos significam.

Todas as pessoas erram, falam besteiras às vezes, dizem coisas da boca pra fora, cometem deslizes e existem vários motivos para que isso venha a acontecer com todo mundo, como insegurança, teimosia, estresse, cansaço, etc.

Além disso, a maioria das pessoas não cometem repetidamente, excessivamente e constantemente esses erros.

Mesmo assim, a tendência é cada vez mais julgar as pessoas por aquelas atitudes que não representam suas principais e melhores características.

Vamos conhecer mais profundamente uns aos outros e parar de cortar relações no primeiro traço mínimo de um estereótipo, principalmente o do machismo.

Até porque se a sociedade realmente for machista, todos os outros estereótipos têm suas razões para serem verdades absolutas também.

Originalmente publicado em: https://cerebrobinario.com.br/#/post/a-sociedade-machista