Canção do outro

Uma sensação de saudade antiga — mistura de perda de alguém com o tempo que se foi. E além. Um vazio tão oco que não se espreita ver o fundo. E que esse mesmo não há. Pois foi essa que veio, cedo, a luz do dia ainda esquecida de si, atrás do morro, e o céu com estrela. Veio no silêncio sem vento, e quieta se instalou plena, no centro do peito. E vi você tão longe que nem sei. Confundi os sopros. Vi que não era, na verdade, você. Outro você. Diferente o mesmo. Interno segredo íntimo de ser você e eu a mesma face do espelho. Embolados num mundo sem palavra. Sensações. Distância que não se mede em léguas. Tão longe que só se vê pelo coração cortado, escorrendo o sangue na dor quase que fomos. No triz do ser que se incompleta de si. Inalcançável de tão dentro.

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