Barcelona ou Monza?

Quem me conhece e acompanha, conhecerá a minha paixão por automóveis, pelo desporto automóvel e pela F1. Pela 1ª vez, em 2017, marquei presença em 2 Grandes Prémios. As comparações são inevitáveis.

iPhil
iPhil
Oct 2, 2017 · 6 min read

Uma vez que Portugal continua e continuará sem Grande Prémio de F1 por muitos e bons anos (apesar da abordagem feita pelo promotor do Circuito de Portimão à Liberty Media, detentora dos direitos da F1), gostaria de dar a minha visão daquela que poderá ser, para já, a melhor alternativa ao Grande Prémio de Portugal.

Em 2015, tomei a decisão de ir pela primeira vez a um Grande Prémio de F1. A escolha era mais ou menos evidente. Barcelona.

O alojamento foi através do AirBnb, viagem marcada pela Vueling entre 6ª feira (dia dos treinos livres) e domingo (dia da corrida) e o trajecto até ao Circuit de Barcelona-Catalunya era realizado de comboio, no meio da verdadeira armada inglesa, que invade Montmeló. Como nunca tinha ido a Barcelona, ainda houve um esforço para conhecer um pouco da cidade (ainda hoje estou a pagar esse esforço, com uma lesão no tendão de Aquiles direito).

O bilhete comprado foi de “General Admission (Pelouse)” (custa aprox. 130 euros), que garante o acesso ao miolo do circuito. Considerando a natureza e layout do circuito, isso significa que conseguimos ter acesso a uma extensa área da pista, praticamente desde a curva 3 até à curva 7 e recta interior.

Em 2016, foi inevitável regressar. O bichinho ficou (oh se ficou). E numa madrugada através do iPhone, não só comprei o bilhete, como garanti as passagens (novamente através da Vueling) e hotel através do Booking, próximo da estação de comboio (Sants Estació) que me serviria diariamente. Desta vez, optei por fazer a viagem entre 5ª feira e 2ª feira.

Também descobri em 2016, que durante o dia de 6ª feira, o bilhete “General Admission”, não só dá acesso ao miolo do circuito, como também temos acesso ao sector do estádio, como nos dá acesso à bancada principal, em frente do paddock, na recta da meta. Na realidade, dá acesso a qualquer bancada, mas estas são as mais relevantes.

Obviamente que seria difícil não regressar em 2017. Outro hotel, menos uma estação (Clot). O que eu não previa era o entorse sofrido a 3 dias da viagem. Tentei fazer uma recuperação impossível. Seria muito difícil suportar o fim de semana, se tivesse que fazer o habitual trajecto de comboio e a pé (cerca de 2Kms entre a estação de Montmeló e o circuito). Assim, vi-me obrigado a activar o plano B, isto é, alugar um carro automático e garantir estacionamento no hotel e no circuito (20€ para os 3 dias). Acabei por ter alguma sorte com a localização do hotel, Avinguda Meridiana, uma das artérias que permite a saída de Barcelona em direcção a norte, para Montmeló. Foi desta forma que descobri, que o aluguer de automóvel poderá ser uma forma bem interessante de chegar até ao circuito. Os acessos são espectaculares e a organização do trânsito é absolutamente irrepreensível.

E sim, em 2016 e 2017 tive oportunidade de viver a experiência de invasão de pista e pódio. Houve bandeira em 2015, mas só em 2017, houve bandeira na festa do pódio.

Obviamente que há vontade em regressar em 2018 a Barcelona. A implementação do Halo poderá estragar um pouco esse objectivo… mas será difícil ser de outra forma… até por tudo o que tem acontecido na Catalunha, com o terrorismo e com o processo do referendo.

Mas como referi no início, o bichinho da F1 ficou e por isso, seria inevitável não olhar para outras corridas, como são os casos do Monaco, Spa na Bélgica e… Monza em Itália, a catedral da velocidade e a casa da Ferrari no calendário do Mundial da F1. Como tinha férias marcadas para a altura em que se realizava o Grande Prémio de Itália, acabei por cometer a loucura e avançar com a marcação das passagens (Easyjet), hotel, carro (aproveitar o resto dos dias para férias efectivas) e bilhete “General Admission”. Se o bilhete é um pouco mais barato (100€), o resto é bem menos acessível… avião, hotel… é tudo mais caro, quando comparamos com Barcelona.

E depois temos os acessos… O “Autodromo Nazionale Monza” fica localizado no interior do “Parco Reale di Monza”, um gigantesco parque de 688 hectares e é relativamente complicado chegar ao circuito e circular pelo circuito. São distâncias muito grandes. O único parque de estacionamento (Gold) custa 80€ e ainda fica a mais de 1Km da entrada no circuito. Poderão dizer que não será assim tão longe… mas é preciso não esquecer todos os Kms que é preciso percorrer dentro do circuito, durante 3 dias. Neste caso, optei por levar o carro até à estação de comboios de Sesto San Giovanni, a uma estação de distância de Monza e a partir daí, utilizar o Shuttle (5€ por dia) que nos leva até ao “Parco Reale di Monza”.

Tal como acontece em Barcelona, também em Monza, no 1º dia do programa do fim de semana de F1, é permitido o acesso a qualquer bancada. O problema é mesmo conseguir chegar a todas as bancadas. Neste caso, fiquei-me pela zona central do circuito que permite o acesso às bancadas entre a Chicane Ascari e a Parabólica, a própria Parabólica na zona interior e bancadas em frente do Paddock na recta da meta, completamente dominadas pela Scuderia Ferrari Club. Para os fãs mais persistentes, este acesso central, também permite passar pelo Paddock Club e acesso das equipas e dos media.

Azul: Pista | Vermelho: Principal percurso a pé

O problema é mesmo nos restantes dias… em que o acesso é mais restrito e não existem, por exemplo, ecrãs virados para as áreas de “General Admission”, um problema que não existe em Barcelona, dificultando o acompanhamento da corrida. Por isso, a dada altura, durante a corrida, que não foi muito interessante, a missão foi descobrir qual o melhor acesso para a pista, para viver o pódio mais louco do campeonato. E sim… com a nossa bandeira.

Considerando as duas experiências, não tenho dúvidas que Barcelona é um destino a repetir. Não só por causa da cidade, mas pela experiência completa que o circuito consegue oferecer. Tirando a festa do pódio e a convivência com os tiffosi da Scuderia Ferrari, não vejo razões para repetir a experiência, apesar de ter sido absolutamente épica e brutal.

Mas não me esqueci das outras pistas… Não sei se voltarei a fazer duas pistas no mesmo ano… mas gostava de poder viver o ambiente do Monaco, confirmar ao vivo, quão épica é a inclinação da combinação Eau Rouge / Raidillon em Spa ou algo mais exótico como a corrida nocturna de Singapura.

Para além do Halo, sei que existem muitos fãs que desistiram da F1, depois da entrada dos novos híbridos V6. Mesmo com o Halo, estariam dispostos a ter uma nova experiência F1 ao vivo, se voltassem (em 2021) aos motores verdadeiramente ruidosos, como os antigos V8, V10 e V12? E se sim, que pista escolhiam?

iPhil

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iPhil

Blogger, Photographer, New Media, Podcaster | http://www.iphil.pt

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