Blade Runner 2049

35 anos depois, estreou a inesperada (pelo menos para alguns) sequela do filme de culto de Ridley Scott. Aqui fica a minha humilde análise… sem spoilers.

Desde sempre guardei na minha memória (e sim, acho que era real), não só a banda sonora épica de Vangelis, mas especialmente os cenários absolutamente futuristas, com os carros voadores, look & feel industrial e billboards que superavam tudo aquilo que podíamos ver nos anos 80 em Times Square. Afinal de contas, nos anos 80, o ano de 2019, parecia um futuro muito distante.

Não sei porquê, também guardei para sempre a imagem final dentro do carro futurista, com a música de Vangelis em fundo.

Era demasiado pequeno para compreender a genialidade e o verdadeiro sentido da história e argumento do filme original de 1982 e mesmo assim, recordo-me de o ver várias vezes. Sim… apesar de haver apenas 2 canais, a programação era melhor e mais diversificada.

Recentemente, decidi colocar em dia alguns clássicos. Apercebi-me que tinha e ainda tenho algumas falhas cinematográficas. Era o caso do “Metropolis” ou alguns dos clássicos do Hitchcock.

Não era o caso do “Blade Runner”, mas praticamente tinha-me esquecido dos detalhes do filme. Não tinha ideia do ritmo lento do filme e do teor filosófico do mesmo e tão pouco estava próximo de imaginar que o Deckard podia ser um “replicant” e estaria longe de compreender o sentido que teria a simbologia do unicórnio e a ligação entre o sonho e o unicórnio de papel no fim. Era petiz, mas tinha-me marcado e a banda sonora sempre foi a ponte.

Para os mais distraídos, o Blade Runner teve várias versões ao longo dos anos, o que terá contribuído para este distanciamento… afinal, qual era a versão definitiva? Talvez, por esse motivo, foi com alguma surpresa, que estranhei que a cena final, de que lembrava bem, não estivesse presente na versão que acabei por ver recentemente.

De qualquer forma, sentia-me preparado para ver a sequela… que me apanhou de surpresa, quando saiu o 1º teaser. Desconhecia por completo que tinham iniciado a produção do mesmo e foi com alguma satisfação que descobri que a realização da sequela (por falta de tempo do Ridley Scott), tinha sido atribuída ao Denis Villeneuve, realizador do “Sicario” e “Arrival”.

Julgo que só terei percebido que o “Blade Runner 2049” estava em boas mãos, depois de ter visto o “Arrival”. Um fabuloso filme de sci-fi, realizador por um tal de Denis Villeneuve, que já tinha brilhado noutro filmaço, o “Sicario”.

Foi com essa premissa que enfrentei os receios de terem estragado por completo a obra original. Felizmente, estava enganado. Denis Villeneuve confirmou a qualidade que já tínhamos assistido no “Arrival” e acabou por criar algo que consegue respeitar o seu legado, mas também consegue trazer o franchise (já podemos dizer que é um franchise, certo? Apesar das questões legais, que colocaram em risco a possibilidade realização de qualquer obra relacionada com o “Blade Runner”) para um novo nível:

  • É visualmente épico
  • A banda sonora do Hans Zimmer é fantástica
  • É poesia em formato cinema
  • Tem que ser visto em formato XL com o melhor sistema de som possível
  • Parece-me que é o tipo de filme que devemos ver várias vezes, especialmente para apanhar todas as referências e pormenores
  • Os milhares de breakdowns que existem no YouTube, podem ser uma boa opção, especialmente os que são produzidos pelo pessoal do New Rockstars

Só hoje tive oportunidade de ouvir ou ler algumas opiniões. O Filipe Homem Fonseca, referiu no Instagram, estarmos perante uma obra-prima, o M.G. Siegler no seu 500ish Words ou o Joshua Topolsky no The Outline (SPOILER ALERT — este vídeo do The Outline está recheado de spoilers) são mais críticos.

Mas não posso deixar de sugerir que vejam o Tested, onde o Adam Savage (sim, esse Adam Savage), revela as sensações que teve ao ver o filme, uma vez que ele estava condicionado (através de um NDA/embargo por estar próximo da produção).

Para se perceber um pouco mais sobre a produção do novo Blade Runner, também recomendo que vejam a entrevista do Denis Villeneuve numa Talk at Google, em que o realizador partilha um pouco do peso que foi arrancar com um projecto que “só” teria como missão, criar a sequela d’O filme de culto de sci-fi.

Para os verdadeiros fãs, ainda existem 3 curtas, cuja acção decorre no período que é identificado como “Blackout”, ou seja, cronologicamente depois do filme original e antes da sequela que acaba de estrear.

1ª curta — 2036: Nexus Dawn

2ª curta — 2048: Nowhere to Run

3ª curta — Black Out 2022

Confesso que baixei bastante as expectativas, assim que vi o 1º teaser. Damn… era quase uma heresia, fazer uma sequela do Blade Runner?

Embora me fossem dizendo que as primeiras reviews eram boas, a dúvida permaneceu, apesar da confiança no Denis Villeneuve. Posso dizer agora, com alguma certeza, que a obra foi tratada com todo o cuidado e com luvas brancas, mesmo que apresente, aqui e ali, algumas questões que merecem alguma atenção, mas que aprendi a perdoar, depois de ouvir os ensinamentos obtidos a partir da produção do “Lord of the Rings” e do Peter Jackson. Há concessões, que é preciso fazer em prol do ritmo da acção e da história e perante uma obra tão grandiosa aceita-se perfeitamente.

E apesar de não ser fã dos 3D desta vida… confesso que fiquei com vontade de experimentar todos os outros formatos… IMAX 3D, 4DX 3D, Atmos, etc. Acho que a obra merece.

E diz que o Denis Villeneuve já está envolvido noutra obra de sci-fi…