au revoir, sorcière
pra gente, que se acostumou a ser queimada, apedrejada, guilhotinada, é muito difícil viver uma vida inteira. o costume é juntar os trapos e sair à francesa — ali, com a língua dependurada, por onde ninguém nota. ninguém sabe. ninguém viu.
a dor é só nossa e se carregar como cadáver vivo dói mais que tudo. dói mais que tomar benzetacil, que dilacerar o peito ou que rachar a cara tentando encarar a vida com os peito aberto.
ir embora. essa vontade de sempre. essa única motivação de vida.
o sufoco que dependura a língua é quem dá a chance de catar a mala no canto da sala e desejar: fiquem bem. eu, com certeza, estarei melhor. mas, por favor, me joguem debaixo de uma goiabeira ou qualquer outra planta cheirosa. é pra isso que eu sempre existi.