Caesar III: Gerenciamento, Economia e Complexidade

Não, Caesar III não é “tipo Simcity”.

Caesar III é um jogo de gerenciamento urbano desenvolvido pela Impression Games e publicado pela Sierra Enterteinment no longínquo, quase dinossáurico, ano de 1998. É o terceiro de uma série de quatro jogos ambientados na antiguidade romana e mais três ambientados em diferentes épocas e lugares.

A mecânica do jogo é aparentemente descompromissada; Loteie algum terreno para que novos moradores cheguem; dê-los água, comida, um armazém para estocar a comida, um mercado para gerar trabalhadores que peguem a comida no armazém e leve até os moradores… Ei! Por que caralhos eles estão morrendo de fome? Eu fiz tudo certinh… FOGO! TÁ PEGANDO FOGO NAS CASAS, BICHO! E assim se vai o meu projeto de cidade romana com moradores felizes e produtivos. Tudo deu errado. Por quê?

Há no Caesar III uma intrincada cadeia de acontecimentos que levam a outros acontecimentos em um ciclo bem parecido com a economia normal de qualquer cidade, estado, ou país. Incentivos, sejam eles privados ou governamentais, levam a produção de certos bens que precisam de um bom sistema de escoamento para que cheguem aos consumidores finais. Sendo assim, ou você tem uma infraestrutura que leva os bens até quem os quer comprar ou as pessoas não terão acesso a tal bem. Claro, a vida real é muito mais complexa, mas o princípio é o mesmo. No jogo caso seus armazéns estejam muito distantes das suas fazendas eles não terão acesso ao que está sendo produzido e caso os mercados estejam longe dos armazéns a oração se repete.

A coisa não para por aí, afinal além de comida os moradores precisam de Entretenimento, educação, segurança, comércio, indústria… O micro gerenciamento é tamanho que eu me pergunto se não haverá algum nível em que eu terei que controlar a vida pessoal dos moradores dando-lhes seu café matinal.

Teatros, anfiteatros, coliseus e hipódromos são as fontes de divertimento de um cidadão comum na Roma antiga. Construi-los longe dos moradores também não é uma opção, o fácil acesso é essencial. A educação é atribuída às escolas, livrarias e academias que devem seguir o mesmo principio de proximidade de todas as outras construções. A segurança e o combate aos incêndios são fornecidos pelas praefecture que devem ser construídas em abundância caso você não queira uma cidade em pânico. O comércio e Indústria são um caso à parte e merecem um parágrafo próprio.

Comerciar no Caesar III depende basicamente da sua capacidade de Indústria. Existe uma lista de bens que você pode colocar a venda ou comprar; as chamadas commodities, como ferro, argila, madeira, comida em geral e os bens manufaturados, armas, cerâmica, óleo e vinho. A extração das commodities depende do ambiente, o ferro pode ser extraído próximo a rochas, a argila próxima a rios e a madeira em florestas, caso seja necessário vender as commodities é necessário um centro de comércio para armazenar e esperar as caravanas. Caravanas essas que partem de outras cidades quando um caminho comercial é aberto por você, amigo jogador. Os bens manufaturados devem antes serem produzidos por sua indústria, talvez suprir necessidades domésticas e após isso seguir o caminho para exportação. Naturalmente você poderia simplesmente exportar toda a sua comida e deixar todos morrerem de fome, mas você não quer ser um ditador chinês ou um capitalista cruel, não é? Hein?

Nesse artigo só foi possível abordar superficialmente alguns aspectos do jogo, eu nem ao menos falei da religião, ou das missões do imperador, ou das batalhas em cidades que correm risco de invasão. Caesar III é um jogo incrivelmente complexo e não perdeu nada de sua vitalidade ao longo dos anos. É um dos melhores jogos de estratégia que tive o prazer de jogar.

Deliciem-se.

O jogo está disponível na Good Old Games ou na versão remasterizada e open source chamada CesarIA.