Traduzi essa entrevista anos atrás… Resolvemos compartilhá-la aqui no blog.

Artigo original publicado aqui (Momentum Mag). Um agradecimento especial para Mia Kohout por ter liberado a tradução.

Curiosa pela bicicleta: O primeiro passeio em direção a um novo estilo de vida.

Por Susi Wunsch 21 de Setembro, 2013 — Tradução: Tati Carvalho

Foto: Dmitry Gudkov

Savona Bailey-McClain se tornou uma defensora da bicicleta antes mesmo de aprender a pedalar.

Ao se dar conta de que a bicicleta pode significar um estilo de vida melhor, apesar de parte da comunidade ainda considerar a bicicleta como um luxo, a moradora do Harlem de 51 anos se deparou com um momento “ah-ha” no Brooklyn há 3 anos atrás e se tornou uma embaixadora com uma pequena ajuda da Revista Momentum.

Em um dia quente de verão, bebendo um suco de manga em um café em sua vizinhança, Bailey-McClain, cujos gestos animados e gargalhada recoante evidenciam uma energia criativa, relembrava como um projeto numa galeria do Brooklyn abriu os seus olhos para a bicicleta como um meio de transporte alternativo e para melhorar a comunidade.

“Todo mundo aqui foca no metrô, em andar, nos carros” disse a curadora de arte independente que, nos últimos 15 anos, supervisionou projetos de arte pública na Time Square, na Governors Island e que também faz parte da diretoria executiva do West Harlem Art Fund.

“A primeira coisa que você nota na estação da rua Bedford são as bicicletas. Tem bicicleta em todos os lugares”.

“Eu conversei com as pessoas, fiz perguntas”, ela disse. “Algumas pedalavam para economizar dinheiro ou pela saúde e outras por estilo de vida mesmo. Achei isso bem original”.

“A economia está mancando e as pessoas mancam junto”, ela observa. “Mas você pode ter uma melhor qualidade de vida adicionando pequenas coisas, como por exemplo, andar de bicicleta”

Como muitos de seus vizinhos, para Bailey-McClain e seus irmãos que cresciam no Bronx, não havia rodinhas para treinar. O conselho de sua mãe, que é da Carolina, era, “As mulheres do sul não precisam dessas coisas — minha querida”, Bailey-McClain diz, que foi a primeira da família que conquistou um diploma universitário, na Universidade de Pittsburgh, em Artes.

A idéia de um estilo de vida em duas-rodas se tornou realidade ano passado quando a organização sem fins-lucrativos Harvest Home contratou Bailey-McClain como consultora no Bronx. A Harvest Home ajuda os fazendeiros à levar comida para as comunidades carentes a preços mais baixos.

Qual foi o conselho de Bailey-McClain? Focar menos nas mensagens que falam em “ajudar pessoas de pouca renda” e mais em “um mercado de fazendeiros bacanas, engajados e que estão interessados em capacitar a comunidade. E assim, participar fica divertido” ela conclui.

Com a ajuda da Apple e um desenvolvedor de Colorado, Bailey-McClain ajudou a Harvest Home a construir um aplicativo (checamos hoje e vimos que ele foi removido da App Store) que mostra os caminhos dos pedestres até os mercados e alguns lugares culturais para incentivar passeios familiares.

Por meio do novo estilo de vida ela encontrou a revista Momentum, que enviou cópias da revista para serem distribuídas gratuitamente nos mercados. E então, Bailey-McClain decidiu que já estava na hora de aprender a andar de bicicleta.

“Eu pensei, se eu conseguir achar uma bicicleta eu poderei andar pelo Harlem e incentivar as pessoas a fazerem o mesmo”, ela diz. Mas, com 1.5m e um problema no joelho ela teve que achar uma que levasse isso em conta. A revista Momentum conseguiu uma bicicleta, a "Biria Easy Boarding" que veio com uma cestinha da House of Talents e com a assinatura do artesão africano que confeccionou ela à mão: Seidu. “Dai veio o nome da minha bicicleta” diz Bailey-McClain

Até a hora da impressão da revista, Bailey-McClain já tinha tido uma aula para adultos iniciantes na Bike New York. Na companhia de mais de 20 pessoas, na maioria mulheres, ela aprendeu a se equilibrar sem usar os pedais, que foram retirados. Ela se inscreveu em mais uma aula e estava colocando em prática suas habilidades e treinando sua confiança na rua pedalando pelo parque perto de sua casa.

Bailey-McClain admite que, mesmo entre as mulheres que já sabem pedalar, o trânsito nas cidades pode ser uma barreira e ainda há um longo caminho pela frente na parte de infraestrutura do Harlem e no Bronx, comparados com o resto dos outros lugares de Nova York.

“Nós precisamos de mais pessoas para servirem de exemplo”, ela diz.

Bailey-McClain, que considera a sua vida como “uma coleção de eventos interessantes”, adicionou um novo capítulo: pedalar uma linda bicicleta vermelha para inspirar outras pessoas abrilhantarem suas vidas.

Susi Wunsch é uma defensora apaixonada do ciclismo feminino, ela criou o site nova-yorquino velojoy.com e escreve artigos sobre bicicleta em diversos lugares.