Robôs professores

Quando as crianças forem educadas por máquinas inteligentes

Robôs se tornarão cada vez mais presentes nas salas de aulas auxiliando na educação infantil.

Eu sinto um grande entusiasmo na educação quando se trata da interação entre crianças e robôs no espaço escolar. E compartilho do sentimento. Mas não tenho a mesma visão quando se é dentro do espaço domiciliar. Enquanto na escola o robô segue uma programação dentro de uma linha pedagógica voltada para o desenvolvimento cognitivo infantil, em casa não existe uma orientação para o uso do robô. Esta orientação é repassada pela empresa que o construiu.

Apesar da liberdade que o robô doméstico confere aos pais na execução de tarefas segundo uma finalidade educativa, é possível que esta liberdade nem seja exercida. Pais, geralmente, deixam seus filhos à mercê da máquina e ela se torna o educador. Já vivenciamos isso diariamente, quando crianças passam horas diante da TV sendo educadas por diversos programas, cujas intenções não explicitas, além de celulares, tablets, computadores, sites na internet, youtubers, e por aí vai. Somando cada interação surgida ao longo da infância, e,se considerar quanto tempo os pais orientaram essas interações, chegaremos a triste conclusão de que é um tempo irrisório e, que, a máquina foi a grande educadora. É claro que ainda sim, os pais acabam exercendo enorme influência na personalidade da criança. Apesar disso, vejo como perigoso a criança interagir com a máquina sem uma orientação pedagógica, sem um objetivo claro e que desempenhe importante papel em sua formação intelectual.

Boneca Minha Amiga Cayla, proibida na Alemanha devido à facilidade de ser hackeada.

Recentemente, a Alemanha proibiu a veiculação da boneca Cayla, porque hackers poderiam usar do bluetooth da boneca para ouvir e falar com as crianças (Fonte: BBC News). Este fato colocou em evidência um risco maior da presença de robôs em ambientes domésticos. Um deles é o robô ser programado segundo uma ideologia e educar a criança dentro dela. A máquina serviria como meio de doutrinação ideológica para fins desconhecidos. Imagine se um hacker usasse da boneca Cyla para os mesmos fins, que risco isso representa?

Robô Zenbo contando histórias para a criança.

Sem a orientação dos pais, sem um propósito definido para o uso da máquina inteligente - como acontece em escolas que trabalham com robôs no auxilio da educação infantil -, acredito ser arriscado e perigoso demais a criança viver em interação com um robô.

Robôs não foram criados para prejudicar o homem, mas para ajudá-lo a se desenvolver e a se tornar melhor, esta é a minha visão, a mesma de Asimov. No entanto, é preciso definir um objetivo para o uso da máquina em sua interação com a criança. Deixar que esse objetivo seja definido por uma empresa ou, até mesmo, pela própria criança, é por em risco a educação da mesma.

Quando robôs ensinarem às crianças, em suas casas, em que ideologia estarão as educando?

Esta é a pergunta que motiva o artigo: Em que ideologia as crianças serão educadas por robôs domésticos? A ideologia dos pais? A ideologia da empresa? Neutra? Se, nas escolas, as máquinas inteligentes são usadas de acordo com uma pedagogia, nas casas, tem que haver a mesma intencionalidade. Os robôs devem ser usados segundo uma orientação clara, cujo objetivo seja o desenvolvimento das habilidades infantis.