My hero

O que você faz quando involuntariamente começa a carregar um peso de outra pessoa? Não que a pessoa te faça carregar esse peso, você simplesmente divide a carga pra aliviar quem já vem carregando esse peso há muito tempo. De uns tempos pra cá, comecei a sentir uma profunda tristeza quando na parte já falecida da família do meu pai. Uma tristeza muito real.

Quando meu pai era bem novinho, a mãe dele veio a falecer, deixando ele e o irmão com o pai. Com a morte da mãe, meu pai e o irmão tornam-se o conforto um do outro. Anos mais tarde, tio Fernando sofre um acidente e deixa este mundo e meu pai sem chão. Por último, meu vô falece. Só consigo concluir que meu pai presenciou o inferno na terra e, mesmo depois desse perrengue, ele ainda consegue ser a melhor pessoa do mundo. A melhor mesmo.

Acho que por ele ser tão forte, me vi querendo dividir o peso dessas perdas só pra aliviar um pouquinho a dor. Mesmo que anos já tenham se passado, mesmo que ele fale com toda a tranquilidade do mundo sobre a família (principalmente sobre o irmão), creio que a dor seja muito grande. A tristeza que me da quando ele fala do tio Fer é muito involuntária e começou a acontecer de uns meses pra cá. Não lembro direito quando, nem como, nem porquê. E ninguém sabe que ando tendo essas momentos, pelo menos não desse jeito tão frequente. É muito, muito ruim tentar desfazer o nó na garganta que forma quando meu pai ou minha tia falam do tio Fer. Dói muito. Dói pelo meu pai e toda a merda que ele já passou. Citando Donnie Darko, “some people are just born with tragedy in their blood”, só espero que essa cota de tragédias já tenha esgotado pro meu pai. Sério, não faz ele passar por nada assim de novo. Não é justo.

Nem sei se deveria tá falando disso aqui. Até hoje não consegui organizar de forma coerente o que tá acontecendo. É assunto pra tratar com a minha terapeuta e com o travesseiro.

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