Como disse Heidegger: “a morte é algo que apenas podemos experimentar indiretamente”

Beleza Oculta conta com um enredo dramático e sensível ao trazer discussões sobre a morte e a experiência individual diante desse fato

Como diz o ditado popular, “a morte é a única certeza que temos na vida”. Sendo essa nossa única certeza, deveríamos estar preparados para tal fato, ou não. Viver é uma tarefa muito complicada e complexa, especialmente diante de situações perplexas, como a morte alheia.

Vários filmes que abordam a temática de vida, morte e existência já foram produzidos. Um dos mais recentes é o Beleza Oculta, de David Frankel, de 2017. Apesar de toda crítica negativa acerca do filme, vamos nos ater ao seu sentido filosófico. Logo na primeira cena, Howard (Will Smith) elabora uma discussão em sua empresa ao questionar seus colaboradores sobre sua grande razão da existência, seu “Grande Porque”, suas motivações para viver todos os dias. Em seguida, o empresário explica sua visão de vida, dizendo que “viver é se relacionar com os outros”.

Howard enfatiza que todos os seres humanos são conectados por três abstrações, sendo elas: amor, tempo e morte. Todos ansiamos por mais amor, desejamos mais tempo e tememos a morte.

Talvez muitas pessoas ao assistirem o filme se identificaram com a história. Um drama envolvendo a superação da morte de um ente próximo. Mas afinal, existe uma maneira de compreender a morte?

O filósofo Martin Heidegger descreve a morte como um fenômeno existencial que constitui uma limitação da unidade originária do ser humano. Além disso, é algo que apenas podemos experimentar indiretamente, quando o outro morre. Para Heidegger, a morte permite basicamente duas coisas: 1) uma consciência de toda a existência e 2) assumir individualmente a existência, já que a experiência da morte é sempre apenas minha.

De fato, o ser humano é capaz de atribuir inúmeras interpretações e sentidos tanto à vida quanto à morte, variando entre as culturas, religiões e outros vários fatores socioculturais, mas sua discussão sempre será inquietante.

Isabela Machado

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.