Fé decrescente

Há quem pense que a vida foi feita para viver, isenta de perguntas, pontos e parágrafos. Mas eu gosto de pensar que, na verdade

ela é feita para ser sentida.

É engraçado como de certo modo nossa infância é moldada numa ideia. Nascemos imbatíveis, contaminados pela ideia de super-herois, bonecas perfeitas de e filmes e mais filmes com o “final ideal”. Eu costumava pensar que havia uma razão para eu morar em São João del Rei, ter a vida que possuo e as qualidades que tenho. Mas por favor, não me chamem de egocêntrica. Meu pensamento derivava da ideia de que eu teria um papel especial na Terra, que a mini Isabela salvaria o mundo. Ahh e por isso a infância é uma das melhores épocas. E levante a mão quem não sensacionalizava sua própria vida, hein?

Entretanto, ao decorrer dos anos, essa ideia foi-me tirada da cabeça. A pressão escolar, a necessidade de um trabalho e, principalmente, a comparação de um ser humano a outro apagou 80% dessa magia.

Semana atrás, eu me deparei com uma cena singela de um filme. BoyHood, indicado ao Oscar, falava sobre o crescimento de um garoto normal. Sempre fui muito chegada a filmes e as inspirações que eles nos trazem. E uma das cenas que me marcou -com certeza- foi o diálogo dele com o pai.

A cena em que o garoto descobre que não há elfos, nem bruxos e nem super-herois foi uma das mais excruciantes para mim. Triste é a infância da criança que não acredita em papai-noel e não sonha com a fada do dente.

No fim, indo direto ao ponto: por que tudo isso deve acabar? Por que “crescemos”? Aliás, o que “crescemos” deveria significar? Uma vida inundada de contas para pagar, trabalho e no fim…morte? Nós nos conformamos com o mundo que temos e seguimos a nossa vida, é lamentável. Dizemos que “mágica” não existe, mas afinal, o que é mágica?

Pois bem eu falo: mágica não precisa do pó da Sininho para ser mágica. Mágica é a criatividade. Mágica é a maneira de criar um novo mundo como quisermos. E absolutamente ninguém deve se privar desse sonho.

Por isso, quando me sinto só nos meus pensamentos, quando passo a me sentir invisível e quando viro vítima da rotina, eu vejo Pixar, Disney e principalmente: vídeos do Steve Jobs e de demais gênios. Pode rir, vai! Você pode não concordar comigo quanto a genialidade do Steve, mas convenhamos: a partir dele eu percebi algo que a maior parte da população não possui.

E calma! Não digo sobre dinheiro! Riqueza foi apenas o resultado.

Ele possuía uma visão de vida infantil.

Aí vocês me perguntam: INFANTIL? Agora você resolveu xingar o cara?

Nada disso. Ele só manteve consigo mesmo os sonhos, a coragem e a vontade. Pare para pensar: quantas vezes você não seguiu seus próprios sonhos por medo de ousar e não ter em que segurar?

Não adianta negar, somos sim vítimas da rotina, vítimas do aconchego e vítimas da segurança. Perdemos o impossível para o conforto e esquecemos do por quê de estarmos aqui.

“Porque você e eu, nós vivemos e morremos. Mas o mundo ainda continua girando e não sabemos por quê, por quê?”

Minha professora uma vez me disse: epifania é o momento que você descobre o porquê de estar nesse mundo.

E às vezes penso que essa palavra se perderá no dicionário.

Às vezes eu acho que quando ela vir já será tarde demais.

Dizem que os idosos e as crianças são os mais sábios. E a mania do ser humano de deixar tudo para depois me faz pensar que, na verdade, os adultos é que precisam crescer.

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