Fui quando deixei de ser. O que nunca fui, o que era, o que fomos. Ou nunca seremos? Palavras que flutuam em torno de uma mente pensante, que vez ou outra se perde em cruzamentos mal feitos, esquecidos. Não há direção, só dedos suados que vão de um lado para outro, em um ritmo que não existe, contando sentimentos ilusórios ou um tanto reais. Você quer entender? Deixe de tentar. Feche os olhos, ouça aquela velha melodia e sinta o seu coração palpitar. Talvez assim você finalmente compreenda que algumas coisas nunca farão sentido.

Eu te vejo, mas você não me enxerga. Às vezes também não consigo. É muito mais complexo do a leitura de um texto sem pé nem cabeça. Eu sou as palavras, mas elas não me pertencem. Eu sou o que nunca fui, o que tentei ser. Não tenho o que você procura, ou talvez seja exatamente o que seus sonhos dizem. Entretanto, já fui, porque deixei de ser para que pudesse florescer. E floresci. Vivi. Continuo vivendo. Entre aspas de uma música qualquer com a essência e os acordes da mesma melodia dos meus anos dourados.

Ainda que você, aí do outro lado da tela, ache que essas palavras são suas, desculpe te desanimar. As palavras são minhas para um dia esquisito. A confusão nas entrelinhas dizem mais do que sua capacidade de tentar me interpretar possa alcançar. Afinal, sou eu. Aquela que era e nunca foi. Mas, que jamais vai deixar de ser.

Floresci. Cresci.

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