Uma conversa com Gunter, símbolo da Comunicação Não-Violenta na Namibia.

Eu passei dois anos ouvindo e praticando (ou ao menos, tentando praticar) as preciosidades ditas sobre Comunicação Não-Violenta pelo ícone no assunto aqui na Namibia!

Martens Gunter (Living Peaceful Namibia) é professor de meditação, Qigong & Tai chi, além de Communication facilitator/trainer. Ele tem difundido a Comunicação da Compaixão ou Comunicação Não-Violenta e feito vários workshops sobre o assunto neste pais desde 2008.

Numa manhã ensolarada, nos encontramos e ele ficou falando um pouquinho sobre a sua historia e o encontro com Marshall Rosenberg, o psicólogo que desenvolveu essa técnica de comunicação.

Sempre ouço você falar sobre Comunicação Não-Violenta, mas qual foi o seu primeiro contato com esta técnica?

Isso foi em 2000 em Hamburgo na Alemanha. Na época eu morava la e resolvi fazer um workshop. O treinamento foi essencialmente pratico e acabei não entendendo muito bem do que se tratava. Então, não pensei mais sobre o assunto.

Mais tarde, quando estava namorando uma garota por cinco anos, ela recebeu o diagnóstico de leucemia. Fiquei arrasado e decidi que iria apoia-la e permanecer junto a ela em quaisquer circunstancias.

Mas, aos poucos comecei a culpa-la por não estar vivendo a vida que eu gostaria… Existia um conflito dentro de mim, a minha mente entendia que eu não poderia colocar a culpa nela, mas emocionalmente eu a culpava…

Foi ai então que comecei a lembrar daquele workshop “sem sentido” e em 2005 entrei num treinamento de um ano com um dinamarquês chamado Kirsten Kristensen também em Hamburgo.

Mas, exatamente, quando você teve contato com Marshall Rosenberg?

Logo após o 1 ano de treinamento, resolvi que iria conhecer Marshall. Fiz um treinamento intensivo com ele por dez dias. Foi simplesmente espetacular! Realmente comecei a entrar em contato com as minhas reais necessidades. Mas, a situacao mais marcante para mim deste treinamento foi quando uma francesa começou a falar e falar e a sala começou a ficar vazia. Marshall ia fazendo pequenas intervenções, mas ela precisava falar e ele a ouvia com empatia e pacientemente. Foi então, que após uns 45 minutos, o rosto daquela mulher se iluminou e ela teve um momento de clareza e entendimento. Neste momento, percebi o quanto é importante ser ciente das próprias necessidades e do poder da escuta ativa, empática e sem julgamentos.

E, como nós podemos divulgar e promover mais esta técnica?

No meu ponto de vista, não se pode haver uma mudança real se não houver uma crise suficientemente capaz de fazer uma pessoa de fato querer mudar e procurar meios para essa mudança, procurar novas possibilidades e abrir caminhos. A Comunicação Não-Violenta é uma mudança significativa na forma como costumamos nos relacionar, na forma como aprendemos a nos relacionar. E, normalmente as pessoas querem continuar fazendo as mesmas coisas.