notas sobre a noção de destino e liberdade

~atenção: brisa em construção~

Essa que vos que escreve sobre Astrologia é também Socióloga de formação e recentemente voltou à sala de aula para lecionar Sociologia e Filosofia. para esta última, a preparação e a retomada dos conteúdos é mais intensa, já que não é minha formação específica. e me peguei ontem pensando sobre Astrologia ao preparar a aula. 
Lembrei do sábio post da querida amiga Carla Midões em sua página maravilhosa Asterismo que versa sobre as bases dos fundamentos astrológicos ( aqui ó <https://www.facebook.com/asterismo.astrologia/photos/a.1329419747120149.1073741828.1324963210899136/1329419723786818/?type=3&theater> ) ao meditar sobre o Estoicismo.
e estava feito: a Filosofia me ajudando a me aprofundar numa questão muito cara à Astrologia Tradicional: a noção de destino. Na carta natal que se escreve no momento do nascimento está delineado não apenas “tendências” ou “traços de personalidades”, mas todo o traçado da vida, desde seu início ao seu fim. Eventos que são arquitetados a partir dos aspectos entre planetas maléficos e benéficos. 
Grosso modo, para os estoicos em sua busca pela felicidade e bem estar, o amor ao destino era premissa. Em sua concepção cosmogônica, tudo o que existe e que acontece tem um objetivo e razão de ser, pois faz parte da inteligência universal e divina. De modo que tudo o que acontece é necessário, não pode ser diferente do que é. Cada pessoa nasce com um destino definido, logo, tudo o que acontece deve ser bom. Daí noção de que é necessário aceitar a dor e o sofrimento, como parte dos eventos inscritos na natureza das coisas. Se por um lado é necessário o controle racional das paixões, é necessário também o ~amor fati~: a pessoa deve não apenas aceitar o peso de seu destino, mas também querê-lo, isto é, amar o que se é, o que tem, o que vive. 
Conhecer o próprio destino e compreendê-lo é parte fundante do conceito de bem estar e felicidade. 
Embora o pensamento estoico seja apenas uma das bases que constitui essa Arte tão maravilhosa, a compreensão do destino como algo que se deve conhecer (querer conhecer, aceitar e amar) para atingir a felicidade, é fundamental para ter ideia do que é possível esperar de uma consulta com um astrólogo tradicional.
A Astrologia Tradicional não se propõe a uma mera leitura da personalidade e tendências. É a leitura da carta do destino, seu detalhamento para aproximar o nativo de seu próprio caminho. Auxiliá-lo na compreensão do seu destino possibilitando assim um maior discernimento sobre os eventos de sua vida. Sobretudo, a Astrologia é um oráculo que a partir de cálculos, métodos, leituras e traduções é capaz de fazer previsões. — algo que pode ser (e em grande parte é) muito difícil e bastante pesado.
Hoje atendi uma moça. Procurou o oráculo para aliviar a agonia quanto a insegurança no emprego, medo da situação financeira. Disse a ela coisas muito boas, previsões ótimas. Mas ela não saiu daqui me agradecendo por isso, não. 
Em dado momento da leitura, ao falar sobre um aspecto bastante tenso de maléficos com significadores de vitalidade e qualidade da mente, ela sentiu um alívio tão grande. Falou bastante tempo de tudo que já viveu e sentia como se o contato com aquele fato tão pesado, difícil, um aspecto ruim do seu mapa [pra não medir palavras] fosse a chave para uma espécie de libertação. Foi justamente o contato com aquilo que lhe causa dor e o conhecimento e reconhecimento disso enquanto faceta de seu destino que trouxe a sensação de alívio, liberdade. Eudaimonia — o bem estar que advém do poder divino. A paz de espírito de se saber, conhecer a si próprio, aceitar e amar o que se é.

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isabela morais
14 de fevereiro de 2017

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