VOCÊ É INTERVALO
O tempo é devoto a todos nós, por isso, você é intervalo.
Quando a gente nasce o universo se rearranja inteiro para a nossa presença e se faz quase cinematográfico para cada um de nós e você por sua vez, transforma o chão que pisa (da maneira como pode), mas tamanha grandeza pode ser quase um átomo dependendo do ponto de vista.
E eu digo isso porque nós somos intervalos para o mundo assim como as pessoas são intervalos para nós.
O mundo tem existido bilhões e bilhões de anos sem você aqui. O mundo se fez em vários antes da sua chegada, algumas épocas muito quentes; outras tempestuosas, e em outros momentos, se fez muito lindo. Tudo isso sem você. E não menos chocante, ele futuramente vai se fazer em outras milhões de versões sem você para chamar de seu o chá quente que você toma ou a marca de hidratante que te lembra algoalguemalgumacoisa.
O mundo ainda vai ter uma eternidade sem você aqui. A sua morte não significa a dele; porque quando você fechar os olhos a sua existência vai ter sido válida, mas não vai ter sido tudo, meu querido intervalo.
E se eu estiver com a autoestima boa, posso até me enxergar como Terra; Fortaleza. E daí, eu vejo que ambas as pessoas e medos são meros transeuntes de algo enorme e lindo, que ainda vai servir de acalanto para qualquer outro turista desavisado dos ventos violentos que atingem a mulher forte que eu me torno a cada dia.
Você é intervalo porque eu sou também. E eu sei que tenho planejado muito para um mundo onde eu só visito, talvez, a minha chegada tenha sido no dia 31 de dezembro às 23:59 e acabe na infância de algum janeiro quanto, mas eu não ligo. Tenho esse distúrbio: me doou muito a intervalos curtos. Afinal, para quem não depende de mim e se reconstrói sozinho, o universo tem me acolhido como eu o acolho.
