Linha do tempo

No quarto, 
envolta pelas paredes brancas marcadas 
uns dizeres feministas, uma banda de Liverpool e uns rebeldes da história, 
a tela é o mundo.

Sentada na cadeira, 
de frente pro mundo, 
é como se manter parada em uma rua movimentada. 
Passos rápidos lá e cá, 
furacão de movimentos, 
um esbarrão a cada distração.

Cada movimento é um alguém, 
cada alguém uma história. 
Uma multidão de histórias passando por você. 
Não é como um Centro da Cidade às 18h 
lotado de feições inéditas com histórias a serem inventadas.

A tela é uma rua lotada de rostos conhecidos
há anos, dias ou meses.
Rostos de todo dia ou somente de foto e vídeo.
Eles passam, correm, voltam 
e vão.

O messenger está funcionando? 
A solidão claustrofóbica da tela cheia de movimento. 
Nunca sozinha mas nunca acompanhada. 
Like like like
Quantos likes seriam suficientes pra substituir uma pergunta sincera?

Você está bem? 
Ninguém está. Alguém está? Quem? 
Parece que estão. Ou não. 
A imagem é a captura de um momento. 
Sorria, xiiiis. E o sorriso fica eternizado. 
Mas será que esse sorriso se mantém?