Não há democracia sem feminismo, não há!

513 pessoas.
462 homens.
51 mulheres. 
Essa é a proporção entre deputados e deputadas em nosso país.

Desde domingo, não há como falar sobre outra coisa: o golpe em curso contra a presidente Dilma Rousseff e, mais do que isso, contra à democracia de nosso país deu um passo adiante ao ser aprovado pela Câmara. A primeira presidente mulher de nosso país é, gradativamente, retirada de cargo determinado à ela com mais de 50 milhões de votos por uma Câmara presidida por um homem branco, hétero e autor de alguns projetos de lei que interferem diretamente na vida e nos direitos das mulheres brasileiras. Cunha é nosso inimigo direto, assim como tantos outros votantes do último domingo.

462 homens.
51 mulheres. 
Do total de 513 votantes, houve duas ausências. Um homem e uma mulher. Uma dessas ausências foi vaiada. Eu acho que não precisaria nem dizer, mas as vaias foram para a mulher, afastada por licença maternidade.

Assistir à votação foi assistir mulheres, elegidas da mesma forma que os homens, terem que gastar uma energia a mais para conseguir falar. Não importava o voto, o partido, a posição. As mulheres sempre precisavam concorrer com gritos, vaias, comentários e ofensas. Até que chegamos ao ápice. Deputado Jair Bolsonaro homenageia, em seu voto, o torturador da presidenta. Ele foi ouvido e aplaudido. Além da gravidade simples deste fato, um deputado homenageando um torturador da Ditadura Militar, a Câmara nos deu o recado: a presidência, a câmara ou lugar algum será fácil para nós.

Aqui no Rio de Janeiro, um dos candidatos à Prefeitura é um homem que espancou a mulher com quem era casado. O Bolsonaro filho deve estar na disputa também. O pai louvou quem enfiou ratos na vagina de mulheres. O Cunha ataca nossos direitos ao corpo e à vida, dificultando ainda mais o acesso e a possibilidade do aborto, mesmo em casos de estupro. A mídia, por sua vez, faz um perfil de Marcela Temer como “futura primeira dama”: bela, recatada e do lar. E, pra completar, escreve que o tal relacionamento se iniciou com ela ainda adolescente.

A notícia que temos pra eles, porém, é que se continua sendo difícil pra nós, será cada vez mais difícil pra eles. Nós lutaremos, gritaremos, avançaremos, não nos calaremos. As mulheres tem força e ela só aumenta. Não há democracia sem feminismo! Mulheres de luta e na luta contra Cunha, Bolsonaros, Temer e tantos outros. Contra o golpe, o sistema antidemocrático, patriarcal e capitalista. Por nós. Todas nós.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.