Oi, tudo bem?

E aí? Beleza? Como tá? Como vai?

A maioria das conversas se inicia mais ou menos por aí. E continua: “Tudo Bem. Beleza. Tô bem. E você?” “Tranquilo! Então…” E o papo foi puxado e está iniciado. Mas e se a vida não estiver esse mar de tranquilidade? Acho que ninguém que pergunta “tudo bem?” na hora de puxar assunto realmente espera que a pessoa do outro lado seja 100% sincera, né? “Não, está tudo péssimo!” “Não, acordei hoje com o maior mal humor.” “Não, não estou com vontade de conversar.” (E desanda a falar de todos os problemas da vida) É, acho que não é exatamente o início de conversa mais esperado de todos.

Fato é que não dá pra estar sempre “tudo bem”. As vezes tá tudo mal, inclusive. Mas como lidar com aqueles dias em que você só quer se esconder debaixo do cobertor e esperar o tempo passar? Mais, como lidar com a expectativa de felicidade que as pessoas ao nosso redor sempre tem? Como se não estar feliz fosse um absurdo…

Se pararmos pra pensar, não é uma surpresa as pessoas sempre esperarem um sorriso. Nós somos construídos com base no entendimento de que o objetivo disso tudo que vivemos é esse: a felicidade. Então, se você não está feliz, ora, você está fracassando em algo. (E ninguém quer fracassar.) Ao mesmo tempo, a vida é um tanto controversa e contraditória. O sistema no qual nos organizamos é cruel e, definitivamente, não existe para que todos nós sejamos plenamente felizes. Mais do que isso, constrói um ideal de felicidade e nos diz que é só essa a resposta, que precisamos ir atrás dela. Mas será que é isso mesmo? Será que estar bem consigo e com o mundo é a mesma coisa para todas as pessoas? E, ainda, será que nós precisamos e vamos demonstrar as nossas felicidades e tristezas da mesma forma?

Fato é que “tá tudo bem?” nem sempre é uma pergunta simples de ser respondida. E aí ficamos na linha entre o não se deixar tomar pelas tristezas e problemas, numa tentativa de abrir o espaço para que as pessoas que querem estar conosco possam nos trazer coisas boas e positivas naquele momento e, por outro lado, o não se deixar cobrir pela máscara da obrigação de estar feliz. É necessário entender até quando está sendo saudável viver tão intensamente o que te deixa pra baixo negando outras possibilidades que poderiam surgir se nos deixássemos viver outras coisas e até que ponto é saudável simplesmente não lidar com isso e fingir que, sim, está tudo bem e esperar passar... Provavelmente não existe uma única resposta pra encontrar esse equilíbrio, assim como não existe um molde de felicidade que precisamos nos encaixar. Então, se eu não sei a resposta pra mim, muito menos saberei pra você, mas a gente segue tentando. Sei, com certeza, que muitas vezes não sei responder àquela pergunta que parece tão simples. No fim das contas o que estou tentando dizer — pra mim, pra você e pra ninguém especificamente — é que as vezes não tá tudo bem, que as vezes tá tudo bem não estar tudo bem mas, é, acho que precisamos aprender a lidar com isso.

(E essa é uma tentativa)

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