Em pausa

Vivo de pausas. Você imóvel, com os olhos virados e ombros arqueados. A unha do polegar retida no indicador num estalo que não terminou. A lembrança de suas mãos inquietas, e do contraste delas com sua boca.

Por vezes me movo em torno de você como naquelas cenas de filme: sou rastro colorido que gira, revolta e volta. E volto na procura de um movimento seu… Mas, que nada.

Depois daquele dia, eu fui embora e você ficou ali em pausa.