Prateando Bambolês de Dedo

Começou como tudo se começa. Torto, mas definido. Misterioso, porém cético. Enrolado, embebido em barrocos caracóis prateados circundando aquele que o punha. Pode ser para selar um compromisso (dito) sério, apesar do mais tradicionais preferirem os maiores, com diamantes de quilates dos mais pomposos, de preferência acompanhada com uma festa em que todos seus parentes e amigos convivem regados à uísque. Alguns só o necessitam de uma simples fibra natural, madeira ou algo do tipo, pois afinal o que importa é estar junto e não toda a papelada. Ele se enrola nos caminhos parecendo uma harmonia de flores. Não são rúbeas, são como a lua, redonda, clara e acinzentada. Distante, porém próxima.

Pequeno. Pequeno mais encaixa em mãos grandes. Ele não chega até o fim, porque ela ainda está encontrando seu caminho. Ele não acha a base e nem é feito para tal, ele é o percurso, palavra rocambólica que lembra um dançar em roda. Pequeno. Porque ele não precisa de ser muito para se sentido o tempo todo, ele é um anel, um fim de um ciclo, um eterno caminhar de enterros e nascimentos. Não precisa de exageros para poder se fazer notável, a simplicidade o circunda, o envolve, o acaricia. É seu ar ao redor, é o ciclo do Sol, é os cachos da minha cachoeira, é tambor do preto velho, é a saia da baiana, é as ocas do índios. Pequeno pois ao mesmo tempo que é sentido, não o é, se desfaz em mais um circundar de fim e começo, grandeza e pequeneza, simplicidade e exuberância. Pequeno, porque é e não é um mero aro de aço.

Da leveza de dançar em volta de pretos mármores negros, ele tudo escreve, tudo pontua, aponta, indica. Ele devia ser compromisso, e o é — e também não o é — pois afinal é dela consigo mesma. Qual a liberdade de fins e começos se não a de estar em um eterno ciclo da vida? Saber o ciclo de si é entender as curvas. Prateado, ele lembra a descendência de rainha. Rainha de si, rainha dos arcos, rainha das esferas e dos “ós” opacos. Majestade que é gira, pomba gira, e rodopia em buscar de rotas para perambular na bola azul, no planeta. Dentro ele é vazio, como toda realeza no fundo o é, mas fora ele lembra a mais bela coroa. Não de espinhos, nem de flores, de aço que parece prata, de dureza que parece luxo, de veis escuras pelo tempo. O tempo é o infinito rebolar de acontecimentos.

Pode parecer que atribuo demais poesia à roda, ou círculos à vida, ou que a minha pressão baixou e estou vendo bolinhas pretas em frente aos meus (redondos) olhos. Porém tudo um eterno movimento barroco de acontecimentos esféricos por si só. Uns momentos de curvas, outros de tangente mas sempre beirando um certo rebolar. Ele é e não é. Pode ser só uma bijuteria barata comprada em uma feira de fim de semana em um bairro da cidade. Mas seres humanos são seres que atribuem significados à todas as coisas, quem sou eu então para questionar a minha humanidade?

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