Só não repara no que restar, tá?


Estou arrumando meu quarto e minha vida para você entrar. Guardei algumas roupas que estavam há semanas jogadas em cima da cadeira e coloquei algumas outras para lavar. Organizei uns discos na prateleira e uns pensamentos na cabeça. Até uns sentimentos no coração.

Limpei aquele monte de sujeira encrostada nos cantinhos da minha vida, joguei fora uma ou outra negatividade que restavam aqui e mandei alguns amigos voltarem depois. Aceitei que os amores antigos e objetos de recordação não foram feitos para deixar de enfeite, acabei encaixotando tudo e mandando para a despensa.

Lembro de ter endireitado os quadros na parede uma ou duas vezes, mas eles insistem em pender para o lado esquerdo. Pendurei um filtro dos sonhos na cabeceira para livrar nossas noites de conversas e sonhos incluídos. Venho regando umas plantinhas e, com paciência, espero que floreçamos junto com elas.

Bagunceira como sou, ainda não me habituei ao chão sem poeiras e ao lençol esticado. Confesso que estranho a estabilidade e, às vezes, a falta de ansiedade, mas sei que por aqui você vai passar como um furacão e, no final, isso me tranquiliza.

Só não repara no que restar, tá?