Seria eterno enquanto durasse
num tormento inescrupuloso
como o movimento dos mares
vai-vem-vai-vem
mas da janela do meu quarto
escondida o suficiente para que eu vende meu olhar
para os quartos alheios
não nos pertencemos
eu e eles:
só vejo a imobilidade
suposta
do horizonte verde
tão longe que parece mesclar com o céu.
Seria eterno enquanto durasse
se nós todos durássemos
a chama do instante
que se apaga tão rapidamente 
quanto essas nuvens se movem
aqui da janela do meu quarto.
Navegando meu barco
sou pirata em almas alheias
mas não me revelo
porque não nos pertencemos.
Se eu pudesse moraria numa casa no ar
leve
simples
e teria um horizonte gigantesco para olhar.
Me moveria junto às nuvens
e pertenceria a todos eles,
então seria, sim, eterna
não como a representação
mas como o ser
que não precisa da palavra
porque é.