Sobre idealizações no vácuo

Sob o salto da bota havia areia
E nada mais.
Posto isso,
caminhava errante entre estrelas açucaradas
que não diziam nada umas as outras
porque nada tinham a dizer.
É assim que é:
caminha, caminha até que o salto rache
e no caminho te encontra com alguém e sorri
mas não te atreve a falar;
sorri e continua a caminhar
porque é assim que é.
O açúcar do confeiteiro derrete na mão
na boca,
mas não no olhar.
permanece espalhado, indeciso…
Estrela açucarada não:
pisca e quanto vê já foi
e o passo que deu 
confunde a areia no doce
faz levar a mão à boca
pra saber se foi beijo ou o vento
rimando no caminhar.
Por dentro da bota havia o pé
havia areia
e portanto, estrela.
De cada estrela havia uma marca no pé
e cada pé fazia uma marca na estrela.
E porque tinha em si mistura de estrela com gente,
cansou de caminhar calado.
gritou tão alto que a estrela mais distante ouviu
chocada
e sentiu, porque ele tinha parte da estrela em si
e a estrela tinha parte dele.
nada que não acontecesse sempre…
gritou mais uma vez
nada
outra vez:
nada.
Olhou em volta, para as estrelas,
passou o dedo pela areia doce
e sorriu.
Sobre a bota havia o nada
E nada mais.

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