Afresco

(Imagem: Henry Guillaume Schlesinger)

No estúdio de pintura me sujava com tinta ao passar os dedos por minha barriga, ao brincar com meus seios. Me lambuzava devagar com a língua fina e fria. Se movia e era censurada por seus olhos, não deveria mexer, mas era impossível.
A tinta se misturava ao suor, tornando o cheiro uma mistura adocicada. Meu corpo nu exposto no chão de madeira parecia um quadro, havia tinta até mesmo em meus lábios. Ele não tirava a roupa, apenas abaixava um pouco a calça. Me fazia ficar de joelhos para que pudesse contemplá-lo também. Ele ditava as regras, interferia na técnica, no ritmo. As janelas abertas deixavam entrar a luz do fim da tarde, fazendo a mistura de cores em mim parecer intencional.

Me levantou, me pegou pela cintura e me pôs apoiada de costas pra ele numa mesa velha e cheia de manchas. Abriu minhas pernas com as dele, o joelho pressionando meu clítoris, pois os dedos sujos o impediam de fazer com as mãos. Não havia som, eu era a construção de uma peça que só seria exibida naquele espaço, para aquele homem. O curador de minha exposição enfiava as mãos no meu cabelo curto e me comia por trás, num ritmo cruel de quem sabe chegar aonde quer e não tem pressa.

-Você está tão molhada, tão úmida…

E a voz desaparecia, meus olhos reviravam. Meu corpo possesso pelo peso de seu corpo. Mas me incomodava o fato de não poder me ver, queria que ele visse a cor de meus olhos, dos meus seios excitados, da minha boca que mordia prendendo a voz.
Mas logo parei de pensar nisso, gozei e gemi alto. Quase um grito de alívio, lágrimas escorriam pelos olhos, sêmen pelas pernas. Coloquei a mão no meio delas e escorria tinta.

Acordei empapada de suor, deitada na cama do quarto. O céu já estava escuro, mas me fez recordar do meu sonho ainda fresco.
Pus a mão entre as pernas e escorria tinta desbotada de meu útero. Uma mancha de sangue pintava o lençol que me cobria.


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