Cemitério de querer

Entre eu e você

(Imagem: Edward Hopper)

Teu riso histérico quando o coração bate forte, quando os nervos viram frágil elástico ao me ver passar pelas ruas, pelas esquinas esquecidas de teu peito.
O vago, o espaço, o eco de nossos passos que caminhavam lado a lado.
Teu sorriso forçado estampado na cara ao disfarçar a dor, o incômodo de minhas partidas sem direito a despedidas.

A saudade foi amortecida por palavras imploradas, por beijos de entorpecer os sentidos nunca dados.
Teus olhos nervosos buscam em cada espaço, cada pedaço, meus olhos de quem sabe bem mais de quem és.

Eu que percorri toda a extensão de teus desejos, que desvendei teus mistérios a luz do luar, eu que coube em tuas mãos, já não caibo ou não quis caber.
E frente a frente, quem somos nós a nos olharmos nos olhos?
Esse estranhamento, esse abismo sem fim que nos separa pareceu surgir do acaso, mas cavei cada buraco, cada cova de lembranças desse cemitério de querer entre eu e você.


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