De quase em quase

Perda. Quantos dias? horas? minutos?

Será possível que me acomode ou que respire e suspire na mesa do café?

O que se pode fazer?

Menos como questionamento

Nada, mil vezes nada. Por dias eu rumino algo, uma frase tão vaga

Que na minha boca quer dizer bem mais do que quando a disparo nos ouvidos do rapaz.

Eu sempre me culpo por tudo, até pelo que não me compete.

Mas dessa vez eu retiro o que digo e ponho na mesa

Misturando as letras para ver se acerto o ponto cego que esperam que diga.

Mas ainda assim não serve

Na bandeja eu e minhas letras atiradas numa calçada

Como cena de cinema:

Olho a porta fechada atrás de mim, abafando o som da música alta.
Limpo as frases que formam meu traje e saio cambaleando
Como num filme do Chaplin! Quem sabe cantarolo uma canção?

Ah! A vida é tão bela na tela do cinema!

Mas a vida em si, dá pena. Se a poesia me consolar, o que espero

Escreverei pelo resto da vida com esmero

Pois o dissabor de tudo me assusta

E olhar para trás é um vício que apesar de existir não admito.

Mais uma olhada não faz mal, uma olhadinha de esguelha.

Quem é aquela tão séria?

O que ela tanto olha no pulso?

Um simples relógio.

Mas o que tanto espera?

Engraçado como ela encara os ponteiros, como se o mundo inteiro dependesse disso.

E o tic-tac era misturado ao som das batidas de seu coração.

Como é infinito o sentimento do amor!

Ainda cambaleio, quase danço, quase esqueço

ainda escrevo

Quase deu certo.


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