Um ponto certo

Há um certo ponto em um certo ponto
Que carregar coisas simples como fardos
Torna-se insuportável
Nesse certo ponto há um ser exausto
Perde-se o sono, os sonhos
O tato para lidar com os problemas
Há um dilema entre o que quero e o que faço
O conflito é inevitável
Com os botões de rosas e das camisas
Divago
O diálogo é quase impossível
Escrevo, pois o que falo é inaudível
E o que penso é instável
Mas o que escrevo permanece
Como tatuagem em pele
Como rastro de bicho no mato
O pensamento é nuvem em dia nublado
Tomando uma decisão
Entre chover ou esconder a luz
Entre a espada e a cruz
Mas a certeza do que escrevo é concreta
Como bagunça em fim de festa
Até a próxima comemoração
No guardanapo sujo
No papel do embrulho
No confete jogado
No jornal espalhado pelo chão
As palavras acumulam
Juram, prometem, discursam com precisão
Em um breve momento recobro a razão
Fico são em meio à loucura
Da ventania, do furacão de coisas, frases
Vozes, cores, superstição
E eternizado, no papel marcado
Minhas frases soltas parecem ter algum significado
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