Um ponto certo

(Imagem: LA JOHNSON/NPR)

Há um certo ponto em um certo ponto

Que carregar coisas simples como fardos

Torna-se insuportável

Nesse certo ponto há um ser exausto

Perde-se o sono, os sonhos

O tato para lidar com os problemas

Há um dilema entre o que quero e o que faço

O conflito é inevitável

Com os botões de rosas e das camisas

Divago

O diálogo é quase impossível

Escrevo, pois o que falo é inaudível

E o que penso é instável

Mas o que escrevo permanece

Como tatuagem em pele

Como rastro de bicho no mato

O pensamento é nuvem em dia nublado

Tomando uma decisão

Entre chover ou esconder a luz

Entre a espada e a cruz

Mas a certeza do que escrevo é concreta

Como bagunça em fim de festa

Até a próxima comemoração

No guardanapo sujo

No papel do embrulho

No confete jogado

No jornal espalhado pelo chão

As palavras acumulam

Juram, prometem, discursam com precisão

Em um breve momento recobro a razão

Fico são em meio à loucura

Da ventania, do furacão de coisas, frases

Vozes, cores, superstição

E eternizado, no papel marcado

Minhas frases soltas parecem ter algum significado


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