Ao lado da capital: eleitores e candidatos em Cotia

O perfil de eleitores e candidatos da cidade a cerca de 30 quilômetros da capital paulista

Com história ligada aos bandeirantes, que usavam a mão de obra escrava indígena para cultivo de trigo, Cotia é um município que foi desmembrado da cidade de São Paulo, ganhando emancipação político-administrativa, em 1856. A cidade comemorou seus 160 anos no último dia 2 de abril.

O município tem pouco mais de 230 mil habitantes e, atualmente, elege 13 vereadores a cada 4 anos. Conheça o perfil do eleitorado e dos candidatos da cidade.

Cotia em números: quem elege

Antes de analisar o perfil dos candidatos que disputam a eleição, vale conhecer números do eleitorado para analisar a representatividade eleita. Em Cotia, a população estimada em 2016 é de 233.696 pessoas, segundo dados divulgados em 1 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A eleição é realizada em turno único, uma vez que o município não chega a 200 mil eleitores, número mínimo necessário para levar o pleito ao segundo turno.

Neste ano, são 158.884 eleitores na cidade de acordo com o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse número corresponde a 67,9% da população total estimada. O crescimento da quantidade de eleitores em números reais desde o último pleito municipal, realizado em 2012, foi de 17.356 eleitores. À época, eram 141.528.

O crescimento do número de votantes no mesmo período é ligeiramente maior que o da própria população: a estimativa da população em 31 de julho de 2012 era de 209.027 pessoas. O crescimento de pessoas aptas a votar cresceu 12,2%, acompanhando o aumento da população. A diferença é de apenas 0,4%: o número de habitantes aumentou 11,8% no mesmo período.

Dos seus quase 160 mil eleitores, a maior parte (28,5%) não terminou o ensino fundamental (até o 9º ano). Quase 11 mil pessoas apenas leem e escrevem (7.609, equivalente a 4,7%) ou são analfabetas (3.202, equivalente a 2%), número semelhante ao que têm ensino superior completo. Esses últimos somam 6,7%, ou 10.656 pessoas. As mulheres são maiorias em ambos os extremos: são 60,3% dos analfabetos e 58,6% dos que concluíram o ensino superior.

As mulheres totalizam 52,4% do eleitorado da cidade. São 82.263 eleitoras. A maioria (12,1%) está entre 30 e 34 anos. Os 75.441 homens têm os mesmos 12,1% nessa faixa etária. Apesar de as mulheres formarem a maioria votante, não havia representação feminina no executivo ou no legislativo municipal.

Cotia em números: candidaturas ao executivo

Cotia teve, no total, 319 candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Das 319 candidaturas, 304 concorrem à vereança e 14 à prefeitura, compostas por 7 cabeças-de-chapa e 8 vice-prefeitos(as), incluindo uma candidatura indeferida.

Para o pleito que acontece no dia 2 de outubro, inicialmente havia apenas duas mulheres concorrendo a cargo executivo: uma a prefeita e uma a vice-prefeita, cuja candidatura foi deferida. Já a cabeça-de-chapa do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) teve a candidatura indeferida pelo TSE por não ter apresentado certidão do Tribunal de Justiça de 1º grau. A candidata do PSOL recorreu da decisão e aguarda julgamento.

Entretanto, uma terceira candidata apareceu já no meio da campanha, no prazo limite para substituição de candidatos, entre os vice-prefeitos. A candidata do Partido da Mobilização Nacional (PMN) foi apresentada como substituta à Justiça Eleitoral no dia 12 de setembro, uma vez que o candidato que a antecedeu teve o registro indeferido por ter menos de um ano de filiação ao partido. Após a Minirreforma eleitoral de 2015, não é necessário ter um ano de filiação ao partido, apenas seis meses. Entretanto, o indeferimento se deu por inconformidade ao estatuto do PMN, que exige o o tempo anterior.

A candidatura ao Executivo da coligação “Cotia quer voltar a ser feliz”, que envolve 11 partidos, também foi indeferida, mas recorreu da decisão. O cabeça-de-chapa foi enquadrado na Lei da Inelegibilidade (Lei Complementar 64/1990, que foi alterada pela Lei Complementar 135/2010, conhecida como Lei da Ficha Limpa) e considerado inelegível. A chapa foi indeferida e os candidatos a prefeito e a vice aguardam julgamento do recurso.

Foram cadastrados, portanto, 12 homens e 3 mulheres para concorrer aos cargos executivos. Excluindo as candidaturas indeferidas que aguardavam julgamento do recurso (8 homens, 2 mulheres), os números anteriormente mencionados ficaram assim:

  • todos os 5 candidatos ao cargo de prefeito, com candidaturas deferidas, eram homens;
  • 40% dos candidatos ao cargo de vice-prefeito, com candidatura deferidas, eram mulheres (2);
  • 60% dos candidatos ao cargo de vice-prefeito, com candidatura deferidas, eram homens (3);
  • portanto, entre as candidaturas deferidas, apenas 25% (2 de 10) dos candidatos ao Executivo eram mulheres.

Que foram às urnas, em números absolutos que incluem candidaturas indeferidas com recurso e deferidas com recurso (que aguardavam julgamento), os números são os seguintes:

  • dos 7 candidatos ao cargo de prefeito, apenas 1 era mulher. Equivalente a 14,2%;
  • dos 7 candidatos ao cargo de vice-prefeito, 2 eram mulheres. Equivalente a 28,5%;
  • portanto, entre as candidaturas deferidas e indeferidas com recurso, apenas 21,4% (3 de 14) eram mulheres.

Cotia em números: representatividade nas candidaturas

A representatividade feminina eleita é nula no município. No ciclo que se encerrará no fim de 2016, o prefeito e o vice-prefeito são homens, bem como os 13 integrantes da Câmara Municipal. Considerando todo o universo de candidaturas, foram 319 no total. O município atendeu a cota mínima e máxima de candidaturas para cada sexo, com 30% de mulheres e 70% de homens, mas vale analisar mais de perto a participação feminina nessas candidaturas.

Entre as 97 mulheres que registraram candidatura, a maior parte delas têm entre 35 e 54 anos. Foram 61 candidatas dentro dessa faixa etária. Delimitando ainda mais, a maioria, formada por 17 candidatas, tinha entre 50 e 54 anos. As mais jovens tinham entre 21 e 24 anos. Concorreram apenas 4 candidatas nesta faixa etária.

À vereança, elas são 94 candidatas, representando 30,9%. A porcentagem de 30% é mínimo exigido pelo TSE para candidaturas de cada sexo. De acordo com a Lei nº 12.034, de 2009, que alterou a Lei das Eleições de 1997, “cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo”.

Em sua cartilha de orientação aos partidos políticos para as eleições deste ano, o TSE reforça a orientação para a porcentagem mínima e máxima para candidaturas de cada sexo, bem como o número máximo de registros. Entretanto, um olhar mais atento mostra as disparidades nos partidos.

Dos partidos que lançaram candidatos em Cotia, em dois deles as mulheres eram maioria: a única candidata do Partido Pátria Livre (PPL) e das 4 candidatas a vereadora do Partido Ecológico Nacional (PEN) (confira aqui, aqui, aqui, e aqui), o que correspondia a 57,1% do quadro. O PEN tem outros 3 candidatos homens concorrendo à vereança. O PPL e o PEN fazem parte da coligação “Cotia quer voltar a ser feliz”. A coligação tem, no total, 42 candidatas e 98 candidatos. Precisamente 30% e 70%.

Confira as candidaturas por partido desta coligação:

  • PP: 5 homens, 1 mulher (83,4% x 16,6%);
  • PDT: 1 homem (100%);
  • PMDB: 10 homens, 4 mulheres (71,5% x 28,5%);
  • PRTB: 13 homens, 6 mulheres (68,5% x 31,5%);
  • PMB: 14 homens, 6 mulheres (70% x 30%);
  • PSB: 14 homens, 6 mulheres (70% x 30%);
  • PRP: 14 homens, 6 mulheres (70% x 30%);
  • PEN: 3 homens, 4 mulheres (42,9% x 57,1%);
  • PPL: 1 mulher (100%);
  • SD: 10 homens, 2 mulheres (83,4% x 16,6%);
  • PROS: 14 homens, 6 mulheres (70% x 30%).
  • 98 homens, 42 mulheres = 140 candidatos (70% x 30%).

A coligação “O melhor caminho para Cotia” apresenta situação semelhante, com dois partidos com candidaturas exclusivamente masculinas.

  • PRB: 7 homens, 3 mulheres (70% x 30%)
  • PT do B: 9 homens, 4 mulheres (63,7% x 36,3%)
  • PTC: 4 homens (100%)
  • PTN: 7 homens, 3 mulheres (70% x 30%)
  • PSD: 8 homens, 3 mulheres (72,8% x 27,2%)
  • PHS: 4 homens, 1 mulher (80% x 20%)
  • PSC: 5 homens, 1 mulher (83,4% x 16,6%);
  • PSDB: 2 homens, 1 mulher (66,7% x 33,3%);
  • PSDC: 3 homens, 1 mulher (75% x 25%);
  • PSL: 2 homens, 2 mulheres (50% x 50%);
  • PT: 3 homens, 2 mulheres (60% x 40%);
  • PV: 9 homens, 5 mulheres (63,3% x 36,7%);
  • DEM: 1 homem (100%);
  • PR: 4 homens, 2 mulheres (66,7% x 33,3%);
  • 68 homens, 27 mulheres = 95 candidatos (71,6% x 28,4%)

Os partidos com candidaturas unicamente masculinas são: Democratas (DEM), Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Partido Trabalhista Cristão (PTC) (confira aqui, aqui, aqui e aqui).

Uma curiosidade a ser destacada: oposições clássicas e declaradas nas esferas federal e estadual, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), fazem parte da mesma coligação, “O melhor caminho para Cotia”, e não lançaram candidatos próprios. Os partidos preferiram apoiar o candidato do Partido Social Democrático (PSD), favorito na disputa. Situação bem diferente da vizinha São Paulo, onde os candidatos do PT e do PSDB constantemente disparam ataques um ao outro.

Negros são minoria entre candidatos

Os candidatos brancos são maioria. Ao todo, são 188 candidatas e candidatos com essa cor de pele, o que corresponde a 59%. Entre as 97 mulheres, 58 são brancas. Apenas 12 se identificam como negras e 26 como pardas (12,5% e 27%, respectivamente). Entre os homens, são 130 brancos entre os 222 que concorrem a vereador e a prefeito. Só 20 são negros, o que corresponde a apenas 15,3%. Ainda nas estatísticas de representatividade de cor e raça, apenas 2 candidatos se declararam indígena ou de pele amarela: um homem (amarela) e uma mulher (indígena).

Véspera das eleições: situação das candidaturas

Um dia antes das eleições, os números das candidaturas são: