Ctrl PUC

A nova era do Instagram

Isabella Mei
May 13 · 3 min read

Por Isabella Mei

A nova interface do Instagram, sem o número de curtidas visível

O aplicativo queridinho das pessoas está mudando! A plataforma confirmou no dia 30 de abril que está testando três novas medidas, entre elas, a retirada do número de likes das páginas principais.

O app está estudando esse projeto, que visa trazer de volta o hábito de compartilhar fotos e vídeos, sem a pressão dos likes, como uma forma de integrar comunidades e “fortalecer laços com pessoas e coisas que você ama”, de acordo com a nota liberada pelo aplicativo.

A ação tem como proposta valorizar os conteúdos visuais compartilhados, ao invés dos números de curtidas, que se revertem em lucro ou em um problema frequente nos dias atuais: as comparações, já que o Instagram se tornou um recinto de confronto entre o real e o “perfeitamente montado”. O vídeo “Os Likes, a Solidão e Shakespeare”, do canal Quebrando a Caixa, mostra exatamente como os likes têm esvaziado o sentido dos compartilhamentos, se tornando apenas números para comparação.

A criadora de conteúdo e professora Larissa Couto, 23, com 16 mil seguidores no Instagram, afirma que a nova medida poderá trazer benefícios para a questão da saúde mental. Ela diz estar animada com as mudanças, mesmo não sabendo exatamente como funcionarão. Ouça a entrevista com Larissa abaixo:

Na nova atualização, não seria possível que o público geral visualizasse o número de curtidas, porém essa lista ainda seria mostrada para a pessoa que publicou a foto, em um modelo semelhante aos stories, em que o número de pessoas que viram o conteúdo só aparece para quem publicou a foto ou vídeo.

A psicóloga Cíntia Furtado, 30, concorda com a blogueira, ao afirmar que é a favor dessa mudança, pois acredita que essa nova forma de usar as redes sociais tende a diminuir a frustração, ansiedade e vaidade exacerbada das pessoas.

Com a atuação comercial do Instagram, muitos influenciadores digitais começaram a publicar fotos mais chamativas, para gerar mais números, sendo convertidos em visibilidade, que significa o aumento de publicidades e interesses de empresas no trabalho daquele influencer.

Cíntia ainda reitera “Num espaço virtual onde parecer feliz o tempo todo é quase uma obrigação, a tristeza fica excluída. O importante se torna o número de likes e maior compartilhamento de suas atividades 24 horas para aumentar seu engajamento e número de seguidores. Isso pode ser sentido de forma cruel para quem é excluído por essa tendência de comportamento”.

É um ciclo sem fim, que acaba gerando muitos problemas aos usuários comuns, pelo fato de muitas pessoas começarem a comparar suas vidas e seus corpos a aqueles que são montados para dar lucro, gerando uma frustração insalubre.

A psicóloga completa que nesses casos, apenas o discurso de sucesso prevalece. “Ao comparar a vida alheia que parece perfeita demais, o contraste com sua realidade pode trazer o profundo descontentamento, sensação de solidão, frustração, inveja e ingratidão por sua vida. Estamos esquecendo de ser gente como a gente.” Por isso, ela acredita que a retirada de likes poderá contribuir com a melhora desses sentimentos.

Por outro lado, o criador de conteúdo Felipe Luz , 27, com 12 mil seguidores no Instagram, conta na entrevista abaixo que não acredita tanto na mudança do Instagram, pois existe a possibilidade de ela não trazer tantos benefícios assim, além de ser uma medida com um provável interesse de marketing da plataforma:

Por fim, a desenvolvedora Jane Manchun Wong divulgou em seu twitter uma foto de como o Instagram ficaria sem o número de likes visíveis para o público geral, apenas para o autor da publicação da foto. Wong, que não é funcionária do Instagram, divulga em seu twitter pessoal informações relacionada à privacidade dos usuários (vide foto em destaque).

“Queremos que seus seguidores foquem no que você compartilha, não em quantas curtidas suas postagens recebem”, diz a plataforma, mas sua posição ainda gera dúvidas.

Isabella Mei

Written by

Estudante de jornalismo que pretende conhecer o mundo e ser poliglota. Acredita na mudança por meio das palavras.