Estava encantada com o sorriso dele, mirava-o com carinho enquanto ele falava sob a luz frágil do fogo que pairava entre nós. De que forma eu poderia imaginar, naquele instante, que ele me faria tão bem nos próximos dias?

Quando senti seu cheiro, tão de perto, senti uma tontura gostosa de bem-estar. Pensei “o que mais eu poderia querer nesse mundo, senão a sensação desse cheiro nesse instante?”

De repente comecei a me dar conta de que, tudo se encaixava. Nossos dedos entrelaçados se encaixavam perfeitamente bem, quando eu tive o privilégio de pegar em suas mãos. Nosso corpo, um n’outro, tão bem alinhado e confortável. Nossos lábios, e línguas, quando brincavam numa intimidade explícita.

Há um tempo não sentia uma felicidade tão intensa, espontânea, poética e livre. Sorria, e ria, com uma ardência tão intensa, da qual não queria me despedir nunca. Só queria estar com ele, sentir ele. Sentir seu cheiro, seu toque, seu sorriso, sua presença…

Me surpreendi ao me dar conta de que ele provocava borboletas no estômago quando chegava perto. O quê? Será que é isso mesmo? Já havia tanto tempo que não sentia essa sensação que quase me esqueci de como era. E ah! Que maravilha é a sensação de juventude.

Era assim que ele fazia eu me sentir: muito nova, leve e solta. Ao mesmo tempo, mulher. E junto disso tudo, insana. Uma insanidade boa, saborosa. Da qual parecia só fazer sentido entre eu e ele, naqueles momentos em que estávamos juntos.

Tudo fluía naturalmente bem. Parecíamos conectados, de uma forma inexplicável. Ele falava muito do que eu pensava e as vezes a sintonia era tão grande que falávamos juntos.

Quem era esse homem do qual eu nunca havia estado junto e me provocava um bem e uma confiança, como se já estivéssemos uma longa história por detrás daquele simples fim-de-semana?

Seus olhos e seu olhar, seu sorriso, sua pele, sua cor, seu jeito de falar, sua voz e a intensidade dela, seu toque, seu gosto, seu jeito de se vestir, sua risada gostosa e o quanto seu corpo tremia enquanto ria, seu piscar lento e tranquilo, seu carinho e suas curvas… tudo nesse homem me encantava absurdamente. Era um Universo completamente novo e desconhecido pairando em minha Via Láctea, do qual eu desejava mais e mais doses do mesmo.

Eu imaginava que talvez não poderia ficar melhor, estar com ele e senti-lo. Até um momento único que estávamos juntos esperando seu ônibus e ele me dizia coisas da qual mostrou o real valor que ele tem e pude enxergar, por um instante, sua alma, ao fixar os olhos em seu olhar tão penetrante e sincero. Pude ver a bondade dentro de si e foi quando, enfim, meu coração disparou. Ele palpitou com uma violência tão abusiva, que me assustei com o quanto esse homem poderia provocar um rebuliço absurdo dentro de mim. Sorri e, só tive força de dizer a ele que era lindo. O que talvez ele não tenha entendido é que eu não dizia lindo aparentemente, e sim de espírito. Contudo, não tinha forças pra explicar, eu só desejava naquele instante senti-lo com toda minha energia como se o mundo fosse acabar no instante seguinte. Quase suguei ele como se fosse o pouco oxigênio que me restasse até ficar sem e sufocar.

Quando ele conseguiu provocar a emoção mais intensa que poderia em mim, foi então que decidi que quero tê-lo em minha vida e amá-lo até não poder mais. Foi quando decidi que vou fazer por onde ir atrás e merecer sua companhia, que hoje enxergo: tão honrosa.

Sua simpatia e gentileza emanou um encantamento intenso em todos os cantos do meu mundo e me fez desejá-lo da melhor forma possível.

Ele me cativou e me fez refletir que, assim como meu querido Carl Sagan se declara para sua amada Annie, sinto por Raphael que “Na vastidão do espaço e na imensidade do tempo, é uma alegria para mim partilhar um planeta e uma época com Annie”.

Ele me transmitiu um amor tão forte, de forma que me faz pensar que talvez o corpo dele não tenha 70% de H2O e sim de amor. Sou muito grata por tê-lo por perto, pois me sinto mais leve e deliciosamente feliz.

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