Sobre a morte da minha mãe…

Eu lembro que quando eu era criança, eu pensava: como será que as outras crianças vivem sem a minha mãe?

Minha mãe era meu porto-seguro. Era simplesmente apavorante pensar no que aconteceria se ela partisse.

Foi com esse mesmo pavor que eu recebi a notícia, no início de 2014, de que ela estava com câncer. Pouco mais de um ano depois, passei por um dos momentos mais difíceis da minha vida ao ouvir o médico do pronto-socorro dizer que não havia nada mais a ser feito.

O que eu mais temia, aconteceu. E foi o maior presente que eu poderia receber.

Em um mundo de desconexão, onde tanta gente vê a morte como castigo, pode soar estranho dizer que enxergo a partida da minha mãe do mundo da matéria com profunda gratidão.

Eu sempre soube que a vida continuava do outro lado. Mas, quando uma parte minha voltou para casa, eu pude sentir. Lembrar. Uma porta se abriu na minha consciência. E eu, finalmente, iniciei o meu trabalho de volta.

Quando minha mãe voltou para casa, eu também voltei. Redescobri minha casa aqui, bem dentro de mim. Bagunçada, precisando de uma minuciosa limpeza, mas era, sim, minha casa. Eu não estava mais perdida.

Estando novamente em mim, te sinto, mãe, aqui dentro também. Você e eu. Juntas. Curadas. Livres. Divinas. Uma.

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