Sobre cegueira (e sobre enxergar)…

Acordei imensamente feliz hoje. É o efeito de uma tarde de sábado maravilhosa que me proporcionou a conexão com pessoas que já estão vivendo esse mundo novo que está aí escancarado para quem quiser experimentá-lo.

Ontem participei pela primeira vez do Encontro com Propósito, projeto lindo da querida Karina Barretto, que propõe encontros às cegas de pessoas que têm vontade de compartilhar experiências em um ambiente delicioso, com uma comida deliciosa, sempre partindo de um tema diferente (saiba mais em http://www.encontrocomproposito.com/).

Confesso que não sabia muito o que esperar quando me inscrevi. Mas, como o universo não decepciona nunca, recebi muito mais do que podia imaginar.

O tema do encontro foi “Desconstruindo o Olhar”, com Ricardo Rojas, que deu dicas de como fotografar melhor usando o celular. Durante a conversa, o Ricardo nos apresentou seu convidado, João Maia da Silva, um profissional incrível que trabalha fotografando esportes. Sempre sorrindo, João se apresentou e contou um pouco da sua trajetória, revelando como funcionava seu processo.

Apenas um detalhe: João é deficiente visual.

Isso me fez refletir muito. Onde estão os limites, afinal? O impossível existe?

A realidade é seletiva e é, sim, uma escolha. Faz um tempo que eu venho “desconstruindo meu olhar” sobre o mundo e suas possibilidades, simplesmente porque a realidade que eu vivia se tornou insuportável. E quando eu mudei a perspectiva, a vida também mudou. Ela sempre esteve ali, maravilhosa e surpreendente. Mas eu não conseguia ver.

Quem é cego, realmente? O João, que faz o que ama, independente da sua condição física, que não impõe nenhum limite às escolhas dele, ou as tantas pessoas que se limitam a olhar o mundo com tanta negatividade e imposições sociais que sufocam seus mais lindos sonhos?

Meu mundo, hoje, não é o que aparece na televisão ou nos jornais. Meu mundo é aquele feito por pessoas de olhos abertos. Pessoas como o João. Pessoas como o Ricardo. Pessoas como a Karina. Meu mundo é a mudança, simplesmente porque eu escolhi enxergar.

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