Sobre liberdade…

E então, Deus sussurrou no meu ouvido: por que você insiste em rastejar, se eu te dei asas?

E eu lembrei quem eu era. Encoberta pela minha escuridão, tinha esquecido que eu era luz.

Quando abri os olhos, vi uma criança me chamando para brincar. E eu disse sim! Siiiim!

Como mágica, um jardim infinito, de um verde que eu nunca tinha visto antes, cheio de flores coloridas, se apresentou à minha frente. A criança sorriu para mim e agradeceu. Saiu correndo com os cabelos ao vento. Livre! Finalmente livre!

Meu peito parecia que ia explodir de tanta alegria. Alegria que não cabe nesse corpo. Corri junto dela. Eu e a criança éramos uma só. Eu, feliz por ter renascido. Ela, feliz por ter crescido. Se permitir ser criança é crescer. Só na pureza de quem não aprendeu sobre o impossível há entrega para os vôos mais altos.

Bati às portas do céu e elas sumiram. Percebi que, na verdade, elas nunca existiram. Eu criei as portas. E os muros. Mas quando olhei para dentro, vi que o céu era eu.