Isabelle Maia
Aug 24, 2017 · 6 min read

Querida Emília… (Carta Incompleta Pro Meu Eu De 10 Anos)

Hoje é dia primeiro de abril de 2017, sim, você tem vinte anos e eu ainda não sei lidar com essa informação.

Mas vamos ao que interessa, ao chegar de uma semana dura na faculdade (querida, estamos no ensino superior, mas temo lhe dizer que não está no curso que sempre sonhou), decidi organizar minha mesinha de estudos que tem apostilas da época do seu pré técnico (faziam anos que eu não mexia nela), junto à toda aquela papelada encontrei uma carta sua me perguntando como seriam as coisas no futuro, e, depois de escrever outra carta para que outra Isabelle me responda, decidi te contar o que rolou durante esses anos.

Com 10 anos, você deve ter zerado aquela prova de matemática para a qual você mesma disse que não seria necessário estudar, e você se sente muito culpada por ter “fracassado”, talvez até, tenha feito uma promessa de estudar todos os fins de semana até o final dos seus estudos. Então, é com muito orgulho que venho te dizer que aquela foi a sua única nota baixa na matéria (até chegar Cálculo 1, haha), que com o passar do tempo, você se livrou do “monstro” que matemática sempre foi pra você, se tornou monitoria no cursinho pré técnico que fez, no ensino médio e olha que irônico, é a graduação que você faz hoje! Não desiste do plano de estudar, porque vai dar certo, confia em mim e continua fazendo isso.

  • Sobre a faculdade…

Eu sei que você sempre sonhou com Engenharia Mecânica e tal (na real com o tempo você vai começar a se questionar se essa foi mesmo uma escolha sua, ou do seu pai), mas vamos ser realistas. No seu ano de vestibulanda, mil coisas acontecem, infelizmente, você se deixa levar por toda aquela tristeza e vazio e faz um péssimo vestibular. No dia da escolha você vai se sentir com medo e acabar querendo garantir alguma vaga numa universidade qualquer, e assim, você literalmente vai cair de paraquedas no curso de Filosofia na UFRRJ (tá, nem tão literalmente assim); o que eu estou tentando te dizer é, você vai começar algo que sequer passou por sua cabeça, e vai ser uma experiência boa, porém breve.

Logo em seguida, aceitando melhor sua nota no vestibular, você decide fazer algo que tem mais haver com você. E agora começamos a falar de matemática, você vai ficar oscilando entre História, BCMT (Bacharel em Ciências Matemáticas e da Terra) e Matemática até os quarenta e cinco do segundo tempo, e, por fim decide entrar em matemática com o plano de fazer reopção de curso para a sua tão sonhada Engenharia Mecânica. A única coisa que você não ia contar é com um matéria na sua grade do primeiro período “Linguagem de Programação 1", não quero ficar dando muito spoiler da sua vida, mas você vai se encantar muito forte por esse mundo e querer saber tudo sobre ele. Dai você vai se pegar querendo trocar de curso novamente, seus amigos vão te zoar por isso, mas na real, você não liga muito pro que dizem, e eles são seus amigos e só querem o seu melhor.

Se eu posso te dar um conselho legal sobre isso é, pare de odiar coisas relacionadas a administração, porque hoje, eu to querendo fazer um curso “meio computação, meio adm”, ah! talvez nessa sua época ainda nem exista esse curso mas, pesquise sobre Sistemas de Informação (áreas de atuação, mercado, formação acadêmica…). Se você chegar aos dezessete sabendo da existência desse curso, talvez eu nem esteja hoje sofrendo pra tentar ir pra lá.

  • Sobre você…

Já vou adiantando que você continua dramática, dez anos depois e você ainda acha que qualquer coisinha é o fim do mundo.

Sua concepção de beleza vai mudar dramaticamente com relação a tudo, e você simplesmente se odeia por não conseguir controlar isso (na verdade, você odeia não ter o controle de qualquer coisa).

Talvez nessa época, você esteja sofrendo muito por não ser quem esperam que você seja, por não performar feminilidade, não ser delicada, por ser a garota mais “esquisita” do ballet, por falar alto demais, por ser alta demais, por ser gorda demais, por gostar de ter os cabelos curtos e não usar maquiagem. Deixa eu te dizer uma coisa bem importante e eu quero que você guarde consigo pra sempre, “você é linda!”, você é incrível e eles não fazem ideia do que estão fazendo com você, você não precisa mudar por ninguém, principalmente por pessoas que sequer sabem o seu nome. Eu sei que você chora toda noite, que você tenta mudar quem você é, tenta ser frágil, mas não precisa. Lá na frente, você vai descobrir que existem pessoas que são exatamente como você, e gostam exatamente do que você gosta e todas elas vão querer se aproximar de você; algumas vão ir embora, mas faz parte da vida.

  • Sobre amigos e namorados…

Olha, tudo que você acha que é pra sempre, tá errado!

Vou te mandar em anexo uma lista de nomes de todas as amigas para qual você jurou amizade eterna, que você desenhou corações e que sempre estavam na sua casa e que hoje você nem lembra mais delas.

Algumas vão casar, outras vão para outros estados e até ficarão grávidas, o tempo e a rotina diferente farão que vocês se distancie. Com algumas, esse processo será natural e indolor, já com outras vai machucar bastante. O MSN e o Grand Chase serão ótimos formadores de amizades por uns anos, mas vê se não faz besteira nesse computador menina!

Já os amores eternos que não vão durar nem dois anos, o que tenho a te dizer…

Se minha memória não falha, nessa idade você está completamente apaixonada por um menino da escola chamado Matheus, não é? Mas ele não te dá bola nenhuma, pelo oposto, ele até te ofende por ser “estranha e assustadora”, no seu último ano nessa escola, naquele maior clima de despedida (aos seus treze/quatorze anos), você consegue o que sempre quis! Mas vai ser uma experiência horrível da qual você se envergonhará para todo o sempre, depois vira uma história engraçada.

Do Matheus em diante, uma lista de garotos (e garotas, eu sei que você já sente atração mas tem medo de falar sobre) vão invadir seus pensamentos antes de dormir. Sério, muitos mesmo, se quiser eu até te mando uma listinha dos que eu lembrar aqui.

Você é apaixonante e muito romântica, mas só vai se descobrir assim quando achar alguém que realmente vale a pena, lá pros seus dezenove/vinte anos… Vou te deixar na curiosidade sobre quem é, sonhe com isso a partir de agora.

Ah! algo que eu não falei sobre amizades, 90% (para não dizer 100%) dos seus amigos serão homens, e você se sente mais confortável com eles por ter gostos parecidos, vão te chamar de “sapatão, mulher macho, cê cedilha…”. Mas cá entre nós, eles são bem melhores do que qualquer amizade feminina que você tenha (não desmerecendo as amigas que tenho hoje), mas meninos são bem mais legais mesmo.

Sobre sua família…

Nessa idade você ainda tem um relacionamento legal com todo mundo, acho que daqui uns dois anos isso muda, porque você começa a questionar a fé da sua familia, e começa a achar que sabe o que quer da vida (adolescência é uma fase bem complicada), você sente a ausência da sua mãe e a rigidez do seu pai, se agarra ainda mais nos seus avós e faz deles a sua família. Continua assim que tá certinho mesmo.

Aos quinze você já se sente uma completa estranha na sua própria casa e a única forma de se sentir melhor é do lado do seu avô. Pode parecer assustador, eu sei; mas hoje, aos vinte, você percebe que quem sempre te amou de verdade e com todo o coração não foram as mesmas pessoas que te trouxeram pro mundo.


Quem sabe um dia eu te conte mais algumas coisas do lado de cá, mas por hora, vai viver tua vida Emília!

)
Isabelle Maia

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