inerte
inerte
Sep 2, 2018 · 2 min read

adeus ou à deus

a sensação que eu tenho é que a ferida que abriram em mim, nunca vai se fechar
que ela me deixa vulnerável e sensível
que qualquer toque, vira inflamação
é como se eu usasse curativos mesmo sabendo que não tem cura

me tiraram tudo, até mesmo coisas que eu nem lembrava que tinha
me deixaram totalmente solta e volúvel
forçaram a partida de mim mesma
levaram autoestima
líbido
confiança
tolerância
disposição

fiquei sem nada, vagueando
submersa nos escombros que sobraram
é exagero tantas palavras ruins saírem de alguém que não morreu

eu morri
eu morro
todos os dias

eu me forço a levantar e tentar
forço olhar pro lado e sentir compreensão, que de fato, as coisas acontecem como acontecem

não nego, recebo ajuda todos os dias
pessoas que me estendem as mãos
confesso, é por elas que eu não me parto de vez

como se cada molécula do meu corpo estivesse colidindo umas com as outras
como se eu não fosse nada além de um saco de mágoa e ressentimento

como pode conseguir deitar na cama e dormir em paz de espírito sabendo que matou o interior de alguém? como não tem consciência que essa pessoa sumiria de fato da sua vida e da de quem estivesse ao redor só pra ela não sentir mais dor

tem dias que dói tanto que pra eu não lembrar, eu encarno em uma personagem
a maioria dos dias é assim

as crises de ansiedade passaram a ser comuns, o medo de parar de respirar já nem me incomoda mais
eu me perdi
não quero me reencontrar
se for pra florescer
que seja algo novo

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