me diga seu apelido que eu te direi quem és

Isadora
Isadora
Sep 1, 2018 · 2 min read

adendo: você tem que ser o alvo

tive apelidos. até na faculdade. quando "pensei" que a galera fosse mais madura. e isso não rolasse.

de alguns eu lembro.

a) "pavão": esse foi no médio.
após químicas sucessivas no meu cabelo. comecei a despertar meu amor por ele. deixando-o mais "a minha cara". da mesma maneira, passei a prende-lo de uma forma diferente. o que chamou atenção. não só dos meus colegas de classe. como também dos meus professores. que se achavam no direito de pôr a mão nele. e falar:

- “NOSSA, CABELO LEGAL”!
- “É, EU SEI” - pensava na época

b) "snoop dogg": esse foi no fundamental. fase das tranças. e, talvez, por isso, a semelhança com o rapper. a pessoa que falou isso comigo. me recordo. não falou de forma agressiva. pude perceber que gostava do meu “style”. posso presumir que, talvez, até curtisse o rapper. não doeu tanto.

c) "algodão-doce". faculdade.

"ah, me empresta essa caneta aí, ô, algodao-doce" "ops" "saiu" "foi fulano de tal que colocou esse apelido" "porque você é magrinha e tem um cabeção".

esse dia eu fiquei tão puta. que nem emprestar a caneta eu quis. fora que parece que ele estava exigindo que eu a emprestasse.

perceba que a grande maioria dos apelidos. os quais eu me lembro. foram referentes ao meu cabelo. aliás, em todos os ambientes pelos quais passei, eu recordo de chamar atenção. principalmente, pela forma com que me visto. e, sobretudo. por conta do meu cabelo.

se eu falar para vocês que esses apelidos não me machucaram. estaria mentindo. na época, todos eles, (os apelidos), me feriram. mas, hoje, consigo imaginar todos esses cenários de forma diferente. e, as vezes, chego a rir.

uma mulher. negra. quando está segura do seu estilo. ama seu cabelo. sua ancestralidade. sua cor. chama atenção mesmo. por que como pode? ela ser tão segura e eu pra que possa me sentir da mesma forma. ou igual. preciso ferir outras pessoas. com o meu deboche. com meu racismo. minha inferiorização.

vê se pode!

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