passado e futuro, presentes!
conhecer seu corpo é libertador. foi-se o tempo que ele vivia em amarras. cada extremidade dele tem um resposta. e, portanto, merece um estímulo diferente. um toque diferente. como notas musicais, que quando se unem, constrói-se uma melodia deveras harmônica.
o corpo é um ato político. que não pertence ao Estado. não pertence aos homens. muito menos, à sociedade. o corpo é nosso. nos pertence. somente quem o governa tem a liberdade das escolhas. dos sons. das notas musicais. de quem irá o tocar. na batida que você ditar.
especialmente, o corpo negro.
que é um corpo lindo. em toda sua plenitude. a começar pelas histórias que um corpo negro carrega: dores, cicatrizes que não saem num bisturi. numa clínica de estética. são marcas profundas criadas pela sociedade.
o corpo em si já é um ato político. o corpo negro é a história. que historicamente viveu muito em amarras. aprisionado. o corpo negro já foi considerado sujo. e, portanto. deveria ser exterminado. substituído na sociedade. por outros corpos...brancos. sustentando aquela ideia do branqueamento.
quem toca meu corpo. toca meu passado. toca minhas marcas. as sente. mas, não as vive. o corpo negro hoje está cheio de marcas de tiro. perfurado. desfigurado. está cheio de racismo. vivendo em amarras, novamente.
pelo menos, é o que tem tentado.
por isso, o corpo é político. pois a todo momento a vida vai tentar lhe aplicar golpes. te destituir. te deslegitimar. levantar fatos inveridicos. tudo em vão. porque o corpo negro é político.
