Palavras não ditas

Mais uma noite monótona. 
Estou no sofá pensando nas hipóteses que a vida pode me dar, até que recebo uma mensagem :
 “Estou indo aí em sua casa”.

Respondi instantaneamente : “ok”.

Mas então, pensei 
“o que esse garoto vem fazer aqui em casa essa hora?”.

Tudo bem, olhei para minha roupa, estava de pijama, não troquei.Ele chegou, abri o portão e sentamos na calçada, minha humilde calçada que há tantas histórias não contadas.Ele começou a falar sobre nós , sobre como eu fiz besteiras. Ele ficou ali reclamando mas ao mesmo tempo querendo resolver o que há entre a gente.

Eu só conseguia olhar para ele e pensar o quanto eu gostava daquele idiota, simplesmente por gostar, não conseguia pensar em motivos que levassem ao meu sentimento. Por fim, tentei explicar a ele minha opinião, na qual , ele também não fez por onde pela gente, na qual, ele também não deu tanto valor, e depois de tantas palavras ditas, ele pediu desculpas e então se inclinou, passou as mãos em meus cabelos e os colocou para trás e me deu um suave beijo. Não conseguia pensar em mais nada, apenas sentir, mais uma vez eu me deixei perder, ele ganhou.

Olhei para a rua, sem nenhuma movimentação, pensei consigo mesma que eu tinha que deixa-lo ir, ele se inclinou para outro beijou, e então eu disse : “Sabes que esse é o nosso último beijo, não sabe?”.
Ele hesitou, parou e olhou no fundo dos meus olhos.Observei, olhos tristes, sem saber o que pensar, mas então me respondeu : “Eu sei”.

E então me deu um demorado beijo e foi embora , com todas as palavras não ditas e ações não feitas. Meu coração bateu mais forte naquela hora, querendo puxar ele para mais um abraço e não querer deixa-lo ir, mas era preciso.

Like what you read? Give Isadora Barbaresco a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.