Existir no ódio é também existir no amor

Nesse abismo que chamamos de corpo, existe um vão sinistro.

Deve ser na lacuna das sobrancelhas, da vulva, ou até procriado no estômago. Não sei. Sei que faz voejar entre os maiores combustíveis desse mundo: o amor e o ódio.

Vivo em mergulhos esporádicos nas duas beiras das minhas ruínas, e por vezes, o ódio é a solução pra tudo. A agressão, a fúria, a revolta… é que tá na hora de atravessar o corpo das pessoas com ódio, pra ver se isso faz tocar. A marginalidade é um grito invisível, que só toca com o ódio.

É que tá na hora de não abrir mais margem pra discussão aveludada, é grito, é palavra escrita, é andar na rua, é a minha expressão de ódio, é raspar cabelo e deixar o pêlo, é pintar cabelo e fazer da aparência, um pesadelo. Não agradar os olhos e ouvidos alheios é um ato de ódio, que vai tocar o coração mais do que as palavras de amor. A força que o ódio tem não veio no combo do ser humano por acaso. Só que, se somos o que fazemos com os nossos pensamentos — e não o que pensamos, também somos o que fazemos com esse ódio.

Mas tem dias que a gente esbarra em pessoas esquisitas, e essas esquisitices se tornam amigas e amantes, e luzes que nos salvam. São pessoas têm cheiro de amor, tem piscadas de olhar tão doces, movimentos tão gentis, sorrisos espontâneos…e isso basta para entender que o amor é o vento mais grandioso que existe dentro de nós, e que é preciso colocá-los à força na cara de qualquer sujeito, porque o amor é que salva a nossa vida, o amor é que faz acontecer, é no amor que a gente é feliz.

Experimentar o amor e tudo o que ele toca nos transcende. Nos faz mais humanos. É o lado doído que mais cura, e é uma arma que faz o mundo acontecer de uma forma tão bonita. Dar e receber amor: isso sim é revolução.

Viver e explodir. Viver e explodir. Viver e explodir.

Isso é amor.

Mas isso também é ódio.